O LADO SOBRENATURAL DAS ARCADAS: ENTREVISTA COM O CAÇA FANTASMAS BRASIL

Um convento transformado em faculdade, com o túmulo de um antigo professor que foi enterrado no pátio, um porão muito conhecido, quadros e estátuas intimidadores, diversos relatos de aparições do mundo dos mortos, vozes ouvidas, portas batendo sem motivo e outros fenômenos difíceis de se explicar. Essa é a Faculdade de Direito do Largo São Francisco, uma instituição com ampla fama de mal assombrada e que sempre pode ser encontrada nas listas de locais mais assustadores de São Paulo.

No dia 24 de junho, a arcadas receberam a visita de Rosa Maria Jaques e João Tocchetto de Oliveira, investigadores paranormais que documentam seu trabalho no YouTube há quase 15 anos com o canal Caça Fantasmas Brasil (LINK CANAL: https://www.youtube.com/c/cacafantasmasbrasil). Sua experiência no universo sobrenatural, porém, vem se acumulando há décadas. Eles já passaram por centenas de lugares tidos como mal assombrados e combinam capacidades paranormais com tecnologia para analisar caso a caso, com a missão de descobrir a verdade e ajudar pessoas. Também já escreveram livros sobre seu trabalho e se encontram entre os maiores pesquisadores paranormais do mundo.

Eles produziram uma série de vídeos sobre essa investigação paranormal nas São Francisco, publicados em seu canal no YouTube e nos seus perfis em diversas outras redes sociais.

Além disso, eles concederam uma entrevista para a Gazeta Arcadas, contando como foi a experiência na faculdade, quais os principais resultados dessa inspeção, e deram algumas dicas do que fazer (ou não) diante de uma situação paranormal.

GAZETA: Primeiramente, gostariam de contar um pouco sobre o seu trabalho e métodos?

JOÃO: O que nos diferencia das equipes de investigação paranormal no mundo é justamente o foco sobrenatural. Existem muitas equipes em vários países que tem um foco de tentar documentar o sobrenatural com vários equipamentos, muitas câmeras, muitas situações. Eles vão nos lugares, colocam as câmeras onde ocorreu alguma aparição, mas, na verdade, acabam não sabendo se, de fato, existe algo sobrenatural lá. Caso gravem alguma coisa, também ficam em dúvida se aquele é o recado mesmo. Esse é o nosso diferencial, isso que nos deu essa relevância internacional, é justamente porque a gente sabe quando é doença, quando é mentira, quando é verdade, quando a causa do fenômeno sobrenatural é um trauma. A Rosa, pela paranormalidade dela - que é vidência e telepatia - consegue fazer um diagnóstico preciso de qual a causa e o que que está acontecendo. Se é um fenômeno sobrenatural mesmo ou se é uma outra coisa, uma situação neurológica da pessoa ou emocional. Então esse é o nosso principal método.

ROSA: O método em si não tem regras. O sobrenatural não tem regras e nem leituras pré-direcionadas. Sabe-se do caso, alguém já vivenciou, a gente busca a história, vivencia-se para saber a causa e o que é preciso. Se foi um espírito naquele local, ou diferenciar o que é energia dos mortos, o que é energia dos vivos, o que é energia coletiva. O método é a vivência da captação de cada situação.

JOÃO: E a gente leva alguns equipamentos que nos ajudam a mostrar para as pessoas o que está acontecendo, como termômetros e medidores de campo eletromagnético. Foi o que usamos bastante aí, que tem uma luz laranja, que se chama “ghost meter”. E a gente tem vários modelos, tem mais de dez modelos, mas dois deram mais sinais aí. E temos também câmeras de visão noturna, câmeras térmicas, que ajudam a documentar.

GAZETA: Por que decidiram visitar e fazer essa investigação na São Francisco?

JOÃO: Bom, existe uma lista de lugares, os dez lugares mais mal assombrados de São Paulo, e a faculdade está nessa lista há muitos anos. Nós já fomos na maioria deles, já fomos no Joelma, já fomos no Castelinho da Rua Apa. No Joelma, nós fomos com os donos, um dos cinco irmãos. Naquela época, já há muito tempo, a gente não filmava, porque a gente já fazia isso já antes do YouTube. São 30 anos juntos, a Rosa tem 73 e faz isso desde sempre, ajudar os espíritos e as famílias que a procuram. Na verdade, a gente começou a filmar para poder documentar isso e mostrar essa forma diferente. O YouTube, naquela época, nem era isso tudo, era só uma plataforma na qual nós podíamos postar nossos vídeos. E foi isso que a gente usou para poder mostrar como é a nossa investigação, poder documentar. Então, a São Francisco era uma coisa inatingível, e que a gente teve a grata autorização, e isso foi muito importante para nós.

ROSA: Também para mostrar que houve sim, muito tempo atrás, aparições muito fortes. Mas a história do local se sobrepõe no mesmo sentido, com o mesmo coletivo. Aqueles já descansaram porque sempre tem a mesma história, o mesmo cuidado na proposta inicial. 

GAZETA: Quais as principais impressões que tiveram desse lado sobrenatural da faculdade e qual a energia preponderante dessas arcadas?

ROSA: São energias. Eu diria que o passado e o presente se completam com a intenção, com os professores, com os alunos, com todos os funcionários, sempre na mesma intenção, sempre na mesma velocidade positiva. 

JOÃO: É isso que a gente percebeu. Quando tem alguma coisa muito negativa, a gente também diz, e isso não ocorreu.

GAZETA: Muitas pessoas dizem que a São Francisco é mal assombrada. Vocês acreditam que isso seja verdade?

ROSA: Não, isso são lendas, são histórias que uns vão contando para se manter o mistério, as pessoas gostam muito. Claro que já houve, no passado, assombrações e histórias. Recentemente apareceu um professor, que foi visto por uma pessoa. Não é assombrado, é o espírito que apareceu, por uma abertura, e uma pessoa com sensibilidade captou. Algo assombrado, fantasmagórico, qualquer pessoa vê a qualquer hora, porque é o espírito materializado em um looping tão grande que ele fica preso naquele lugar, por frustração ou outro motivo. Então cada caso é um caso, mas aqui não se trata de assombração. Só houve um professor, que, na abertura do cosmo, veio fazer a visita. Então assombrado não, porque caso tivesse sido no passado assombrado, ainda as pessoas veriam a assombração. Essas são histórias de quem vê um espírito e já passa como assombração. A pessoa às vezes nem sabe que vê, que tem essa capacidade, e já passa como assombração. 

GAZETA: Existem locais ou objetos que merecem uma menção especial do ponto de vista sobrenatural? Ou algum fantasma famoso?

ROSA: A mesa, aquelas mesas. 

JOÃO: Aquelas mesas guardam a energia dos alunos que entalharam os seus nomes ali. Na hora que eles entalharam, conseguiram impregnar a sua energia. Isso foi muito bacana. Assim é o nosso dia a dia, os lugares onde estamos, não só na faculdade, na casa da gente, nós estamos impregnando com a nossa energia de vivos. E é isso que, muitas vezes, os lugares tem. As energias impregnadas da vida, o sofrimento, a alegria, o empenho, a dor. E aí, essa quantidade de energia vivida, positiva ou negativa, vai impregnar. Então, se for muita energia negativa, pode ser que essa energia impregnada nas paredes, nos objetos, cause um mal estar nas pessoas que estão convivendo atualmente neste lugar. Então é por isso que o resultado aí da faculdade é positivo. Claro que tiveram muitas emoções de todos os tipos, até um sofrimento terrível daquela menina que se suicidou. Mas o somatório disso tudo, claro, é muito mais positivo, porque as pessoas estão aí construindo a vida, estão aí com um objetivo positivo. E os professores também, os funcionários. A gente viu também nos funcionários um amor muito grande a tudo isso, aos quadros, às salas, à biblioteca. Existe uma admiração muito grande dos funcionários, das pessoas com quem a gente conversou. E isso também fica. Professores, funcionários, alunos, essa vibração positiva de construir, de aprender, de evoluir, isso é uma energia muito boa. 

GAZETA: Ainda sob a ótica sobrenatural, existem diferenças entre o período diurno e noturno? Se sim, quais?

JOÃO: Não tem diferença. No noturno, quando vai todo mundo embora, a vibração dos vivos diminui, porque, entre a vibração do vivo e do morto, a do vivo é muito maior. Tem o corpo, que está produzindo as energias. Até que não tem muitos espíritos aí, os que apareceram, como Dom Pedro I e Dom Pedro II, abriram janelas do sobrenatural. E a Rosa, como uma paranormal, é um canal telepático intemporal. A vidência é intemporal, ela consegue ver o passado, o presente e o futuro. E com a telepatia, ela faz a comunicação. Isso são capacidades, não é espiritual, As capacidades paranormais são heranças genéticas que todos nós temos. Isso não é uma coisa especial, é natural, faz parte da raça, ninguém tem uma paranormalidade melhor que a outra. Todos nós temos as capacidades que precisamos para nos organizar, nosso feeling, nossa sacada, nossa intuição. E, assim, elas se mostram únicas em cada pessoa. Então por que, por exemplo, alguns advogados conseguem ter sacadas? É a mesma lei para todos, mas alguns conseguem ter sacadas diferentes dentro da mesma lei, para interpretar, organizar e ganhar uma causa. Essas coisas vem da intuição, que é uma parte da paranormalidade. Mas isso é genético, a gente herda essas capacidades, então nós só vamos ter as capacidades que os nossos antepassados tiveram. Só que nós temos milhões de antepassados, então também é muito interessante ver como a configuração se coloca em cada pessoa. Isso é uma questão de aceitação, de aprender a usar, não existe uma fórmula. As religiões tentam organizar isso, mas a visão religiosa é muito limitada, porque ela tem um ângulo. E quando ela transforma essas leituras em dogmas, eles são inquestionáveis. E o sobrenatural é mutante, porque varia para cada pessoa e cada ambiente. Para completar, os fantasmas aparecem de dia e aparecem de noite. O fantasma é aquele que todo mundo vê. Isso é física: energia em movimento cria matéria. Então, uma situação importante -  ou muita dor, ou muita alegria, ou um grande sofrimento, ou uma grande desilusão, ou um grande apego - faz com que ele fique em um looping eterno vibrando a mesma energia. E essa energia, em certos momentos, consegue se materializar. O fantasma não é transparente, não vem flutuando, isso é da ficção. Ele se materializa, ou como morreu - então podemos ver a pessoa com machucados, sangrando - ou como ele se identificava mais em vida. Então você vê, caminha, conversa, e ele some. Esse é o fantasma. Os espíritos são diferentes. O Seu Dudu, por exemplo, tem uma capacidade de ver espíritos e trabalhou isso muito bem. Então, o que ele viu não foi a professora, ele não viu o fantasma da professora ou do professor. Ele viu os espíritos, o que é bem diferente. Ele vê e identifica, mas outras pessoas não. 

GAZETA: Por fim, quais as recomendações para alunos e funcionários que possam se deparar com um fantasma ou algo paranormal na faculdade?

JOÃO: Primeiro, não tenham medo, porque todos nós temos a nossa proteção. Aí dentro da faculdade, a Rosa não viu nenhuma carga negativa, não viu um ponto que fosse negativo, que prejudicasse as pessoas que estão aí. Se tivesse, o próprio radar dela indicaria diretamente, mesmo que fosse em outro andar. Essas capacidades da Rosa não são para aparecer na TV, são para resolver os problemas sobrenaturais. É isso que ela sempre fez e faz, ela acha o negativo e organiza. Se você tem um espírito negativo, ou uma energia negativa, a Rosa capta e transmuta isso. O YouTube e o Caça Fantasmas são formas de fazer isso dentro de uma realidade que nos tira do meio religioso. O Caça Fantasmas nos tirou do preconceito, porque, enquanto vidente, telepata e paranormal, existia um preconceito muito grande. Nós dois somos jornalistas e eu sou publicitário, mas eu, enquanto publicitário, peguei na ficção essa referência de Caça Fantasmas, dos Ghostbusters. E isso nos ajudou muito, porque passou a ser uma coisa diferente. Nós não éramos religião, não éramos ciência, mas sim algo entre os dois. E isso nos ajudou muito a sair do preconceito e fazer com que as pessoas entendessem que era uma coisa diferente. Então a recomendação é: não tenham medo, porque aí dentro não tem nada negativo. A melhor forma de aproveitar uma aparição é não sair correndo, mas prestar atenção, olhar, entender, ver qual o sentimento que fica, se tem algum recado. E ter a sua fé, ou mesmo não ter fé, não é um problema, isso tudo são criações dos homens. Não tem problema se a pessoa não acredita em Deus. Nem esse Deus das religiões existe, isso tudo é criação humana. Mas, se você acredita em uma religião, se essa tradução de Deus lhe faz bem, ótimo. Faça o que a religião manda, reze as orações, faça os mantras, se proteja como a religião estabelece. Faça o que faz você se sentir bem. Aí você está protegido. Então, se a sua religião manda rezar o Santo Anjo, ou faz andar com um guia, tudo isso é válido se você acredita.

(A Gazeta Arcadas agradece ao João e à Rosa do Caça Fantasmas Brasil pela entrevista concedida.)

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