Nos escombros e ruínas da Terra,
carrego a minha prisão junto a mim.
Aflito, sonâmbulo, mórbido: sereno.
Em busca de uma resposta para o fim.
No ínterim vazio, do nascimento à morte:
a Natureza me faz quem sou?
sou eu quem a faço ser quem és?
Deitado, desleixado, deixado: à própria sorte.
Insinceridade fatal,
manipulação, traição:
Repressão.
Repetição?
Definição, divisão:
realidade trivial.
Palavras, palavras,
apenas uma intenção barata,
um apego caro a algo mais.
Além do ser, além de estar.
No fundo, são promessas sinistras:
como deve ser, como deve estar.
Discurso direto discreto:
me posiciono absolutamente quieto.
Em sua janela indiscreta, me fita.
Espaço aberto para expor, compor e dispor:
suas novas joias, sabores, saberes e dores.
Do livro dos prazeres e seus interiores.
Adônis/Afrodite, Apolo/Jacinto e outros amores.
No fundo, meu singelo perdão:
perdoo quem sou, humano e falho;
sinto o toque suave da flor de orvalho.
Ouço o rádio, estranho, tocando uma canção.
Na relevante marcha das cores,
há apenas o cinza.
De preto e branco e preto
e branco e preto e branco.
Nova Idade das Trevas. Nova Idade da Razão?
A noite só acaba, amor, com um sonoro “não”.
“Sim”, o digo, em minha mais nova tentação.

