Eleições CA XI de Agosto 2022: Debates Eleitorais

Debates Eleições 2022 CA XI de Agosto

Saiba o que ocorreu nos debates gerais e de calouros entre as chapas que disputam o Centro Acadêmico XI de Agosto, realizados nos dias 04 e 05 de julho.

Dentro da nossa querida sala dos estudantes, representantes das chapas Construção, Partido Alternativo e Travessia mantiveram um diálogo o mais aberto possível, frente aos estudantes da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, para trazer aos eleitores uma visão de suas propostas, postura e atitudes, com o objetivo de firmar a confiança de cada estudante em seu voto para os próximos a ocuparem as cadeiras do CA.

Sala dos Estudantes durante o debate. Raquel Carminati/Gazeta Arcadas.

De início, estavam programados quatro debates: dois na segunda-feira, destinados aos calouros, em especial a turma 195, embora um tanto também para a 193 e 194 que não experienciaram qualquer edição de tal evento presencialmente; e dois na terça-feira, voltados ao público geral, sendo que cada data contava com um debate por turno, com a finalidade de incluir o maior número de alunos possível. O primeiro dia, no entanto, contou com o cancelamento do debate de 10:30, de última hora, a pedido de uma das chapas. Mais tarde, às 18:30, poucos ingressantes estiveram presentes. Contudo, os debates que incluíram mais turmas contaram com um quórum maior.

Após alguns minutos de consideração ao fuso horário franciscano, os debates foram iniciados pelo Ombudsman, Lucas Campanhã, e um representante da 195, Lucas Fugita. Foram feitas rodadas iniciais de apresentação dos coletivos, depois uma bateria de perguntas – cada chapa pôde direcionar uma pergunta às outras duas, que tinham direito a resposta e tréplica, após ouvir a réplica. Em seguida, ouviram-se perguntas gerais dos espectadores para as chapas e fez-se uma rodada de falas para o encerramento. Sem brigas ou ofensas, o evento correu com leves exaltações e trocas de “farpas” de caráter profissional.

RODADA DE APRESENTAÇÕES

Partido Alternativo: ao contar sua história, explicou que é uma chapa de esquerda - embora seu slogan lembre um antigo jargão republicano estadunidense - sem partido, constituída apenas por calouros, que encontraram uma falta de representação desse grupo nas posições de liderança da faculdade e, indignados com o fato, decidiram lançar uma chapa, com objetivo de atender as vontades desses estudantes, acolhê-los, ocupar a faculdade que lhes parece vazia pela falta de mobilização política e mudar a imagem da política estudantil, hoje, assombrada pela turbulência pela qual passou o CA.

Construção: explicou que também foi criado com muitos calouros em sua composição, em 2018, é de esquerda, suprapartidário, e defende o slogan “Sanfran de dentro para fora”. Busca integrar a faculdade, que se encontra desunida, para conseguir resolver problemas como: acabar comida no bandejão durante o horário de refeições; diversos atletas não conseguirem praticar seus esportes por conta dos horários dos treinos; famílias inteiras estarem morando na frente da faculdade; e o governo Bolsonaro. Tratou dos feitos do coletivo na gestão de 3 anos da Representação Discente, como o projeto Luiz Gama e a concessão de créditos por estágio. Ademais, defendeu a eleição de Lula e mencionou propostas para provar sua competência no XI, entre elas: bolsas de distribuição de renda, ampliação do horário de funcionamento do restaurante universitário, retorno da semana do Peru, com festas temáticas, defesa da política de cotas e universidade pública e gratuita.

Travessia: também criado em 2018 e de esquerda anticapitalista, associado ao PSOL, esse coletivo se diferencia por destacar a questão de raça e gênero, com a maioria de sua chapa sendo composta por mulheres negras, muitos cotistas e moradores da Casa do Estudante, que lutam pela permanência estudantil com uma gestão presente, articulada, contra Bolsonaro e de nome limpo (em referência à AGE incentivada pelo coletivo). Nomearam alguns de seus feitos enquanto gestão, como o pagamento de funcionários do XI, protestos de rua contra o atual presidente e contra os cortes na educação.

DEBATE

Partido Alternativo: focou em expor suas próprias propostas, como a atenção especial aos calouros oriundos do Sisu, valorização da vida social junto à acadêmica, com festas quinzenais, e mobilização de estudantes para participação em mais protestos.

Construção: quando questionado pelo Partido Alternativo sobre a inclusão e aproximação de calouros da política, respondeu citando o Projeto Luiz Gama, implementado para que nenhum franciscano fosse impedido de estudar por questões financeiras, e propostas de festas, divulgação de informações sobre os auxílios e um programa de apadrinhamento de ingressantes. Em sua réplica, disse propor a semana do movimento estudantil (para debater política e economia política) e a expansão da aceitação de atestados médicos por condições psicológicas, além de reiterar a bolsa para atletas. Negou aproximação ideológica ao governo atual, reiterando seu apoio a Lula e lembrando sua presença em eventos a favor de Boulos em 2020. Criticou a polarização desnecessária e a limitação a um só partido.

Travessia: em resposta ao Partido Alternativo sobre a viabilidade da realização da Peruada apesar da situação financeira do CA e da reforma do Largo, reafirmou sua competência para realizá-la, além de expor propostas de acordos com a diretoria, prefeitura, escolas de samba e outras atléticas. Dentre suas realizações passadas, citaram a banquinha de acolhimento na SEREC, o tour com calouros para explicar “o que a história não conta”, a nomeação de um auditório na faculdade em homenagem a um professor negro, o pagamento de dívidas do CA, o processo de impeachment contra Bolsonaro e eventos sociais no Porão. Questionado sobre sua competência financeira (acusado de não pagar FGTS dos trabalhadores e perder 10 milhões de reais em dois anos), alegou ter recebido um CA já endividado e disse ter sido a pandemia um empecilho, apesar de não ter o impedido de manter uma gestão responsável e propor um modelo de fusão, utilizado em faculdades no exterior, com um fundo composto majoritariamente por pessoas ligadas ao XI. Já nas suas réplicas, expôs propostas como a conclusão da reforma da Casa, a compra de uma impressora para a mesma e a garantia de seus repasses em dia. Além disso, criticou a exclusão praticada pelos outros coletivos e à política feita “de dentro para fora”.

PERGUNTAS DOS ESTUDANTES

Partido Alternativo: defendeu a democracia, o debate livre e o papel de relevância nacional do Centro Acadêmico. Indicou querer trabalhar com outras faculdades para trazer à Sanfran mais festas e eventos que incluam todos os alunos, como campeonatos estaduais, sempre ouvindo os estudantes e buscando abarcar todos.

Construção: aproveitou a gestão da RD para mostrar sua preocupação com a alimentação no bandejão em épocas extraordinárias. Propôs seriedade financeira para o término das reformas na Casa do Estudante, festas mais baratas, a concretização da bolsa atleta, wi-fi no Porão e cotas de impressão para as entidades. Defendeu a integração com outros campi a partir da ampliação do uso do Busp, facilitando a realização de matérias optativas e festas. Ainda, destacou sua intenção de reaver a cadeira do XI na Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal, para pensar em soluções de segurança pública aos movimentos de guerra às drogas e ao encarceramento massificado, dando voz e apoio a entidades e grupos de estudo do ramo. Propõe colocar os alunos em contato com as políticas estruturais de todo o país que refletem na situação vivida na Sé e seus arredores.

Travessia: utilizando-se de seus feitos quando era gestão, exaltou propostas que minimizem o isolamento da FDUSP quanto à USP toda, bem como o aumento da bolsa PAPFE, assistência à Casa do Estudante, atendimento psicológico, ampliação do horário de funcionamento do restaurante universitário, melhoria de espaços de estudo, ativismo pela legalização da maconha e aulões de recuperação do conteúdo perdido durante o período de EaD. Além disso, propôs parceria com as esferas estadual e municipal para melhorar o caminho até a estação Anhangabaú, estabelecer um ponto de encontro para grupões do metrô, a permanência constante de uma mulher do coletivo no porão para gerir eventuais problemas, e levar o XI para o grupo de Amigos do Bairro, sempre visando formas alternativas de segurança, pois policiamento não seria tudo.

FALAS FINAIS

Alternativo: agradecendo pelo debate plural de ideias, reforçou a importância dos estudantes no papel de luta ativa por ideais necessários para a faculdade e para todo o país, sem esquecer da mobilização da esquerda como um todo.

Construção: agradeceu pela renovação política trazida pelos mais novos. Alegou estar a faculdade, que possui tamanha responsabilidade histórica e geracional, desmobilizada politicamente em um ano eleitoral; e encerrou o discurso dizendo possuir capacidade de reconstruir, por contar com pessoas responsáveis, disposição para conversar e propostas adequadas ao Centro Acadêmico.

Travessia: também afirmou ter capacidade para liderar o XI, embora distinto pela politização, pela representatividade e pelo combate a opressões e explorações. Tudo isso em debate com o senso comum dentro e fora da universidade, unindo às lutas de todo o país e reavivando os estudantes, sem medo de se imergir na mobilização política.

A gravação de alguns dos debates foi disponibilizada no grupo do Facebook da Turma 195. Leia também nossa entrevista com as chapas, além das completas cartilhas de propostas.

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