Não é novidade que a Sanfran possui entidades e extensões para todos os gostos. Inserida nesse amplo cardápio, A Lanterna é uma boa opção para os interessados pelo liberalismo.
Dedicado a estudar essa ideologia política, o grupo de estudos foi criado em 2016 e tornou-se oficialmente uma extensão em 2020, sob orientação do professor Celso Campilongo. Desde o início, seu objetivo tem sido promover debates aprofundados sobre as liberdades políticas e econômicas. Eles possuem natureza multidisciplinar, contemplando filosofia, história, economia, dentre outras áreas do conhecimento, e abrangem diferentes correntes do pensamento liberal, como o libertarianismo, o liberalismo social e o liberalismo clássico.
As discussões são realizadas em encontros semanais online, com uma hora e meia de duração. Cada uma delas está relacionada a um determinado subtópico, contido em um tópico central mais amplo. Escolhido semestralmente, ele apresenta grandes variações entre os períodos, podendo ser mais abrangente ou mais pontual.
Dois exemplos ilustram bem essa diferença: no primeiro semestre de 2020, o tema geral discutido foi o liberalismo na história. Sua dimensão permitiu abordar uma extensa gama de intelectuais ligados à tradição liberal, como Adam Smith, Alexis de Tocqueville, Carl Menger, Friedrich Hayek, Milton Friedman, Isaiah Berlin, John Rawls e Robert Nozick. Em contraste, no primeiro semestre deste ano, optou-se por debater uma obra específica: Ação Humana. Trata-se da magnum opus de Ludwig von Mises, economista austríaco de grande relevância para a história do pensamento econômico. Estão disponíveis neste link e neste outro os respectivos programas.
Apesar de lançar seu foco sobre um dos diversos pensamentos políticos existentes, o grupo não realiza atividades voltadas à militância, nem à prática de proselitismo, procurando ater-se ao estudo da visão de mundo liberal. Por isso, não é preciso identificar-se com ela, para fazer parte da Lanterna. Segundo José Henrique Matos, membro da extensão, uma de suas principais características é encorajar, acima de tudo, a pluralidade de ideias, de forma a contribuir para que o território livre das Arcadas assim o seja, de fato.
Desse modo, as reuniões do grupo são abertas a qualquer um de dentro ou fora da Sanfran. Além dos liberais, social-democratas, socialistas, conservadores ou pessoas de quaisquer outras linhas ideológicas são bem-vindas, desde que mantenham a cordialidade nas discussões.
Embora todos possam participar, aqueles que desejem pleitear os três créditos semestrais precisam cumprir alguns requisitos. O primeiro deles é a aprovação no processo seletivo, que consiste na resenha de um texto à escolha do candidato ou da candidata, dentre alguns pré-selecionados. Uma vez aprovado ou aprovada, não é preciso prestá-lo novamente, caso queira obter os créditos em mais um semestre. O segundo requisito é a presença em, ao menos, 70% das reuniões agendadas.
Por fim, para cumprir o terceiro, é preciso optar por uma das seguintes atividades: relatar um encontro ou redigir um artigo. Se for escolhida a primeira, cabe ao relator ou à relatora realizar a leitura mais cuidadosa da bibliografia indicada para o encontro selecionado, entregar um handout e introduzir os principais aspectos do tema, visando nortear a discussão que virá em sequência. Já em caso de opção pela segunda, o texto produzido deve possuir tamanho mínimo de duas páginas e tratar de uma das temáticas discutidas nas reuniões.
Ao propor-se a estudar um pensamento minoritário nas Arcadas e ao promover, internamente, um espaço de debate plural e saudável, A Lanterna contribui para a diversidade político-ideológica do ambiente universitário. Além disso, os assuntos a que ela se dedica são complementares ao conhecimento jurídico. Por isso, a participação na extensão é indicada a todos que desejem ir além do estudo dogmático do direito e que se interessem por política, economia, ou áreas correlatas, independentemente do posicionamento ideológico.
Aos que já se identificam com o liberalismo, é uma oportunidade de conhecê-lo melhor e de avaliar qual das correntes liberais mais se aproxima de suas ideias. Aos seus opositores, é uma possibilidade de obter novas informações que permitam criticá-lo com mais propriedade, ou de abrir a mente e, eventualmente, até mudar de ideia.

