Vamos, vamos! Sem demora!
Não se perca de mim, senhora,
venha! venha! Rápido no caminho!
Uma aventura, um ataque ao moinho!
Venha, venha! O tempo urge, o tempo galopa!
De passo em passo, uma corrida com a tropa!
Não se perca de mim, meu senhor!
A pressa tem pressa tem pressa
tem pressa à beça!
Cabelos ao vento, casacos, guarda-chuvas,
corpos e mais corpos,
anjos tortos,
meio gauches.
De um sonho lúcido e lúdico,
sua representação, como uma sombra.
Vida, vida, vida e um passo no futuro,
no engarrafamento, na barbárie:
I’m wandering around, around town,
São Paulo.
São Paulo: somewhere to go.
São Paulo: nowhere to go.
Fumaça, garoa.
Fumaça, garoa.
Desgraça, atoa.
Desça, garota.
E cruzam, cruzam:
pessoas e ruas,
sem medo. Apavoradas.
Sempre algo acontecendo em algum lugar,
mesmo que seja aqui!
Luzes, luzes! Escuridão diurna,
caminhante sobre o mar de névoa,
caminhante sobre o mar de automóveis!
Ao longe alguém canta:
Big City Blues!
Mexico City Blues!
De asfalto e concreto, aqui: meu interesse disperso,
sua loucura, sua sobriedade: particular universo.
São Paulo é um mundo, expandido em meu verso.
Entendendo sem entender. Não, é o inverso.

