Conheça mais sobre a Academia de Letraz, uma das entidades mais antigas da Faculdade.
O que é a ALZ?
Um projeto de extensão da Faculdade criado em 1932, voltado ao acolhimento e desenvolvimento do potencial artístico de seus participantes por meio da reunião de boêmios inovadores, escritores, poetas, cronistas, compositores, desenhistas, pintores, escultores e tantos outros cuja originalidade os guie até que cheguem à sala de nome Lygia Fagundes Telles, onde o grupo se reúne periodicamente.
Permitam-me a escrita de uma minuta a respeito da ALZ, pois acredito que minhas primeiras impressões são deveras relevantes para a formação da imagem da entidade no imaginário de quem não a conhece. Em contraste com toda a Faculdade, que segue à risca uma paleta de cores para a decoração de seus espaços (o extravagante dourado, o típico vermelho sangue do Direito, o preto imponente, os clássicos branco e bege e o antigo marrom), ao passar-se pela porta da ALZ encontra-se um leque amplo de cores. Por todas as suas paredes distinguem-se manifestações artísticas tão plurais quanto um arco-íris, com citações, trechos de músicas, desenhos e outras expressões de, perceptivelmente, gente de diversas origens. A sala, embora passe os dias trancada, sendo aberta apenas durante as reuniões, parece sempre receptiva, pois os pufes e almofadas (também coloridas) são como um refúgio dentro de um ambiente que requer tanto formalismo. Lá encontram-se, ainda, ímpares livros reunidos em prateleiras, uma janela com privilegiada vista de vivas salas de aula e de outras encantadoras partes da Faculdade.
Como ela surgiu?
A velha e sempre nova Academia de Direito do Largo de São Francisco já havia acolhido antes diversos escritores, mas foi em 1932 que uma organização foi fundada com o objetivo de promover a literatura, fomentar a escrita, comentar livros como em um clube. Em 1936, seu estatuto foi registrado em cartório, e à época era muito mais rígido: similar à Academia Brasileira de Letras, a instituição literária possuía em sua estrutura cadeiras nomeadas em homenagem aos escritores escolhidos como patronos, um número limitado de membros (de início, 25) e, por conseguinte, um processo seletivo meticuloso. Com o passar do tempo, o caráter imutável do nome das cadeiras se flexibilizou, os membros passaram a poder mudá-lo, expandiu-se o número de cátedras, permitiu-se entrar na ALZ mesmo sem a ocupação oficial de uma, e então desfez-se esse protocolo, até que a Academia se tornasse cada vez mais parecida com a hoje existente. Em seus 90 anos de história, já tiveram presidente, tesoureiro, secretário-geral, dentre outros cargos, conforme a gestão de sua época. Durante a Ditadura Militar, sua atividade passou um período quase inativa, vítima de censura e por simpatizar com artistas tolhidos da mesma forma. Uma curiosidade: até 1988, o cargo de Ombudsman, hoje imperativo para a FDUSP, não existia, e o papel de fiscalizar o Centro Acadêmico era desempenhado pelo presidente da ALZ, conferindo a tal enorme autoridade.
Que tipos de evento ela promove?
Entre recitais, rodas de leitura, conversa e escrita, saraus, debates de obras literárias e cinematográficas, palestras e confraternizações, os membros da ALZ se conectam formando amizades duradouras e aperfeiçoando suas habilidades artísticas. Um grandioso exemplo do que faz a Academia foi a celebração do Centenário da Semana de Arte Moderna de 1922. De 22 a 25 de março, em parceria com a Direção da Faculdade, agraciaram o campus com performances circenses, de dança, palestras de ilustres convidados e exposição de um marcante filme modernista brasileiro, além da apresentação de um teatro lírico.
De que maneira se pode participar?
A partir de processos seletivos – uma cerimônia jocosa adotada pela Academia, visto que sua seleção visa mais conhecer os interessados, não nomear os mais aptos – é possível tornar-se membro. Já foi encerrado o referente ao primeiro semestre do ano de 2022, portanto, resta aguardar a divulgação de novas informações. No entanto, a ALZ está sempre aberta para entusiastas da arte, pois todos os frequentadores anseiam a chegada das diferentes ideias que os ingressantes trazem. Quem sabe não chega (ou se constrói) nela um próximo Raul Pompéia, José de Alencar ou Álvares de Azevedo?

