Pensando na crescente preocupação com a violência nos arredores da Faculdade, a Gazeta, junto à Representação Discente, preparou este guia com algumas dicas de segurança para os alunos.
Neste ano, a comunidade franciscana pôde, enfim, desfrutar o tão aguardado retorno ao Largo. Dentro das Arcadas, até os mais veteranos puderam sentir novamente a magia do local como se fosse pela primeira vez; fora delas, porém, tiveram de reencontrar um velho (e sempre novo) problema da nossa Academia. Infelizmente, a violência no Centro também se reinventou e deu um jeito de roubar a cena, tendo até virado tema de reportagens de grandes veículos de comunicação, como a deste link.
Se o poder público parece não dar conta da alta nos episódios de violência, resta aos alunos unir-se para cobrar medidas das autoridades e para ajudar uns aos outros. Nesse sentido, conversamos com membros da Representação Discente da Faculdade, que nos deram uma síntese da sua atuação:
“Desde o início do semestre, a RD tem tentado contribuir com os debates sobre a segurança nos arredores da Faculdade. Além de manter diálogo constante com a Diretoria e com as estudantes, integrantes da representação discente entraram em contato com outras autoridades associadas com a matéria, tais como a Profa. Eunice Prudente, Secretária de Justiça do Município de São Paulo, e o Vereador Eduardo Suplicy. Nessas oportunidades, as representantes discentes, em síntese: (i) relataram as ocorrências levantadas; (ii) apresentaram as principais preocupações do corpo discente; assim como (iii) discutiram sobre potenciais soluções para a situação.”
Dito isso, prosseguiremos às dicas do nosso pequeno manual de sobrevivência [1]:
I. Evite andar desacompanhado
● Ao andar sempre em grupo, as suas chances de entrar para as estatísticas da Prefeitura diminuem significativamente. Portanto, converse com seus colegas para descobrir quem faz trajetos parecidos nos mesmos horários que você e encontrar caronas ou companhias para as saídas de estações de metrô e de pontos de ônibus.
II. Use a tecnologia ao seu favor
● Felizmente, aplicativos como o Telegram permitem que os alunos combinem as saídas em conjunto, compartilhem relatos e troquem experiências. Estudantes dos turnos diurno e noturno já tiveram a iniciativa de criar grupos nessa plataforma, logo procure colegas que possam adicioná-lo a um deles.
● Se ainda assim você se vir obrigado a sair sozinho pelo Centro, considere compartilhar a sua localização em tempo real com pessoas de confiança, o que pode ser feito por meio de diversas aplicações móveis, como o Life 360, ou até o Whatsapp.
● Há, ainda, aplicativos de mapeamento da violência em que os usuários reportam os locais onde foram vítimas de delitos, entre outras funcionalidades, como o Onde fui roubado, o Crime Maps e o Agentto - esse último possuindo um botão de pânico que envia um alerta a uma rede de conhecidos em caso de perigo; ou então o Sai pra lá - destinado à proteção das mulheres contra assédios
III. Saiba por onde e como se locomover
● Escolha os melhores atalhos. Para isso, sempre evite lugares de iluminação inadequada e/ou de baixa circulação de pessoas, como becos, vielas e terrenos baldios, especialmente à noite.
● Com uma melhor visão do seu entorno, você evita ser pego de surpresa. Com isso em mente, ande afastado dos muros e faça curvas mais abertas. Além disso, caminhe contra o fluxo do trânsito para poder perceber movimentações suspeitas dos veículos e conseguir correr no sentido contrário ao deles.
● Se suspeitar que alguém esteja lhe seguindo, caminhe mais rápido e atravesse a rua algumas vezes. Caso você esteja certo do que está ocorrendo, tente entrar em um local cheio de pessoas e solicitar ajuda.
● Ajudar o próximo é muito importante, porém esteja atento a certas abordagens. Infelizmente, é comum que pedidos de esmolas ou perguntas diversas terminem de forma indesejada e, por isso, a atenção deve ser redobrada nesses casos.
● Também preste atenção em esbarrões, uma vez que são situações típicas de tentativas de furto.
● Tenha em mente que os assaltantes sabem mapear as suas vítimas e que irão atrás daquelas que identificarem como mais vulneráveis. Portanto, porte-se como alguém atento e confiante, pois isso afastará as suas chances de ser o escolhido.
IV. Tenha cuidado com os seus pertences
● Por mais óbvio que isso seja, tenha o máximo de atenção com os seus pertences. Afinal, as chances de você ser furtado sempre serão altas, qualquer que seja o local; portanto, não largue os seus bens em qualquer canto do Largo.
● Tente não chamar a atenção dos assaltantes com acessórios que aparentem ter alto valor, como joias, relógios, roupas e acessórios de grife. Tampouco ande com os bolsos cheios de dinheiro, gerando um volume perceptível; com celular em mãos, já que esse é um dos objetos mais visados pelos infratores; ou muito menos com fones de ouvido, pois, além de chamativos, eles tiram o seu foco da rua.
● Não é ideal carregar seus objetos de valor em uma uma bolsa ou mochila; porém, se não puder evitá-lo, sempre deixe esses itens próximos do seu corpo e voltados para si, em vez da rua.
V. Tenha cautela enquanto condutor
● Caso vá para a Faculdade de automóvel, principalmente durante a noite, esteja atento aos momentos em que o veículo estiver parado. Nos semáforos, olhe ao seu redor, mantenha portas trancadas, os vidros fechados e a primeira marcha já engatada; próximo de cruzamentos, reduza antes velocidade para que chegue neles quando o sinal já estiver verde; e em discussões de trânsito, não pare o carro, pois muitos infratores as iniciam apenas para praticarem roubos.
● O momento de deixar o carro também é importante. Ao se afastar dele, ainda que por pouco tempo, verifique se levantou os vidros, trancou as portas, ativou o alarme etc. Já quando for voltar, tenha a chave em mãos e verifique se há pessoas em atividade suspeita no seu entorno, ou até mesmo dentro do carro.
● Antes de sair, verifique se há combustível suficiente para a ida e volta e coloque as malas no veículo ainda dentro da garagem para que estranhos não vejam que você irá se ausentar.
VI. Por fim: jamais reaja a um assalto
● “Não era herói, nem um santo. Era simplesmente um advogado”. Já leu essa frase inspiradora em algum lugar? Pois então, carregue-a consigo. Lembre-se de que você não tem superpoderes e de que nunca sabe se o infrator está ou não armado. Assim sendo, uma vez abordado, simplesmente não reaja.
● Após sofrer um delito, tente manter a calma e memorizar o rosto do infrator, a placa do seu veículo (se houver), o local e o horário do ocorrido. Assim que estiver em segurança, procure ir a uma delegacia para registrar as suas queixas.
Com isso, encerramos o Manual de Sobrevivência, mas convidamos você, leitor, a compartilhar suas experiências, conselhos, opiniões acerca do tema e da matéria, ou o que mais lhe interessar, por meio da sessão de comentários.
[1] Foi utilizada como referência a cartilha de “Cuidados na Segurança Pessoal”, elaborada pela Reitoria da Universidade de São Paulo e Superintendência de Prevenção e Proteção Universitária.

