Ó, Poeta! Somos frutos deste malfadado vício. Insanáveis adictos, perambulamos por entre as vielas frias das capitais para encontrar as paixões que nos aquecem.
Tom – aliás, como vai? – afirmava categoricamente a impossibilidade que traçou nossos caminhos. Aquele canto nos trouxe este destino de encontrar nos braços cálidos de nossas amadas um sorriso qualquer.
Com elas, somos os mais bobos. Pode haver o acervo de Alexandria em nossas mentes que nosso intelecto se esvai com um simples olhar. As palavras são instrumentalizadas para demonstrar este afeto tão singular. Uma piada ou outra para alegrá-las e uma besteira para mostrar que somos imperfeitos, diferente de nossos amores.
Não que elas não se equivoquem. Pelo contrário! Nós que, felizes idiotas, nos curvamos para perdoá-las na velocidade da luz. Cada erro é apenas mais um motivo para rir num copo de cerveja. E que sigamos assim, com a leveza de relevar nossas certezas. A vida só é prazerosa assim!
Espalhafatosos? Certamente. Mas veja, meu caro, o desafio de nossa laia é justamente se manter assim nos dias de hoje.
Não imaginas a tristeza que nos absorve após a leitura de um simples jornal. (Por gentileza, peço que não culpe os escritores e escritoras pelo cotidiano apocalíptico!) Somente poderemos habitar aqueles bares cheios de almas tão vazias daqui a algum tempo. E as reuniões, com vinho – ou, como preferes, uísque -, estão adiadas por enquanto.
Escrevo-te para pedir esperança. Poderemos, em breve, voltar àquela vida e aos devaneios de amores tão simples. A morte, tão comum em nossas rotinas, irá nos abandonar, espero eu ansiosamente.
Sobre tua pergunta tão simplória, respondo com uma resposta alegre. Nesses tempos, acredito que estou desenvolvendo um amor. Vagarosamente, este sentimento tem tomado meu peito. E, como diria João – soube que ele está se divertindo aí -, prometo que aqueles abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim estão guardados para ela.

