Meus olhos, abertura da alma,
que silenciosamente conclama:
obscurecidas conquistas, como dois lagos imersos em calmaria.
Não me chamaria.
De um jeito puramente obtuso, ou de outro.
Permanentemente cercado por estas figuras góticas, desta avenida movimentada.
Todos os fantasmas flutuam, flutuam, flutuam!
Wilde assombrando os amores,
Rimbaud traficando os rumores,
Machado ridicularizando as dores.
Em nome da honestidade brutal que sempre se refez,
com as piores mentiras inventadas, forçados sorrisos falsos,
da abertura! abertura dessa alma quieta, que facilmente se desfez.
Não há como voltar depois de tanto tempo tentando desvirar dos avessos.
Esperança: uma palavra vaga. Uma palavra. Uma palavra!
De palavras que preparam as tintas deste desesperado quadro.
De moderada aflição que permeiam os lados obscuros destes versos.
Com este passado, com este futuro. Me resta o presente?
Como a canção do poeta, que morreu na sarjeta:
uma forte chuva cairá.
Pois,
Aqui estou, em partes, inteiro.
Aqui fico esperando o eletricista consertar as luzes.
Aqui observo as figuras soturnas dessa avenida.
Aqui se fixou, meu olhar, que abriu-me a alma.
Santos, Janeiro de 2022

