REQUISITOS PARA SAIR (FORMADO) DA SANFRAN PARTE 2: A REVOLTA DAS AACs

Requisitos Para Sair Formado da Sanfran Parte 2

No começo da graduação tudo parece rosas, mas, à medida que evoluímos academicamente, a preocupação com a conclusão do curso se torna mais frequente. Este manual é para você, calouro, que está perdido e não faz ideia de como funciona a burocracia franciscana para se formar.

Cara 194, agora que vocês já estão devidamente matriculados e inseridos dentro do contexto franciscano, que, na pandemia, resume-se ao grupo do Facebook e aulas via Google Meet, podemos dizer que concluíram uma das duas mais marcantes datas da vida universitária. A primeira, obviamente, é a entrada na gloriosa. A segunda, seguindo uma dualidade contrária, é a saída.

Por mais simples que pareça ser a formatura e conquistar o tão sonhado diploma da faculdade, pode haver algumas – talvez muitas – exigências pelo caminho, a depender do seu ano de ingresso e de seu ânimo acadêmico.

Em teoria, parece bem intuitivo. Você entra na faculdade, estuda, apresenta o TCC – ou tese de láurea, como os franciscanos carinhosamente apelidam – e, enfim, se forma. No entanto, há algumas outras exigências ao longo do caminho.

Até 2020, tudo o que você precisava fazer era cumprir determinado número de créditos em disciplinas obrigatórias, optativas eletivas e livres e, enfim, concluir a Tese de Láurea. No entanto, para a 194 houve a introdução da obrigatoriedade dos créditos AACs. Explicarei a seguir o que cada um desses termos assustadores significa.

Os créditos de disciplinas obrigatórias são inerentes à sua passagem pelo Largo. Não há escolha. Para sair formado é essencial que curse todas elas. É claro que, por razões diversas, há a possibilidade de trancamento da matéria em período ideal. Entretanto, eventualmente, caso o desejo seja colar grau no Salão Nobre, a realização da disciplina deverá ocorrer, pelo bem ou pelo mal.

As optativas eletivas, por sua vez, englobam as matérias opcionais, que podem ser cursadas do 2º ao 10º semestre. Dentro desse período, há disciplinas ideais para o semestre em que você se encontra na faculdade, possuindo prioridade para a sua obtenção. Contudo, caso você queira muito cursar uma matéria eletiva fora do seu período ideal, você pode, desde que sobrem vagas. Como o número de alunos por matéria é limitado, há uma classificação que exclui os estudantes que possuem uma posição abaixo do determinado para a turma. A partir do 3º semestre, a classificação passa a adotar a média ponderada (computada pela soma das notas divididas pelo número de créditos que elas atribuem) do aluno como base.

As optativas livres constituem um quadro muito mais amplo de disciplinas. Embora as eletivas estejam incluídas nessa classificação, seu alcance é muito maior que os arredores do Largo São Francisco. Com as optativas livres, há a possibilidade de cursar matérias de qualquer instituto da USP. Então, se você, mesmo escolhendo direito, tem uma paixão secreta por biologia, por exemplo, a partir do segundo semestre poderá cursar algumas disciplinas no Instituto de Ciências Biológicas. Embora essas vagas sejam limitadas, fazer requerimento para o professor te aceitar é sempre uma alternativa viável, caso queira muito cursar a disciplina.

Não se assuste: caso não se interesse - ou não tiver tempo - por cursar essas disciplinas fora da Sanfran, você pode cumprir os créditos eletivos exigidos para sua turma apenas cursando as optativas de seu curso. Até porque, após o número mínimo de créditos em optativas eletivas ser conquistado, eles passam a contar como créditos livres.

Para a turma 190 é necessário cursar 163 créditos de disciplinas obrigatórias, 32 de optativas eletivas, 42 de optativas livres e, enfim, os 6 de tese de láurea. Para as turmas 191, 192 e 193 os requisitos são os seguintes: 150 créditos de disciplinas obrigatórias, 42 de optativas eletivas, 49 de optativas livres e, finalmente, os 6 de tese de láurea.

Uma particularidade importante é que para a turma 194 houve algumas alterações. As turmas 194 e seguintes deverão cumprir: 150 créditos em disciplinas obrigatórias, 42 em optativas eletivas, 37 de optativas livres, 6 em AACs e, por fim, os 6 créditos de tese de láurea.

Para explicar o que são as AACs preciso primeiro adentrar o mundo obscuro da contagem de créditos.

Cada disciplina oferece 1 crédito-aula a cada 15 horas de atividade e 1 crédito trabalho para cada 30 horas de prática. Basicamente, os créditos-aula são atribuídos à quantidade de horas que uma disciplina utiliza semanalmente. A cada 50 minutos demandados por uma disciplina, 1 crédito-aula é atribuído. Significa dizer, portanto, que, quanto mais tempo você permanece em sala de aula – no caso do EAD, em sala de Google Meet – maior será a quantidade de créditos recebidos.

Ao menos em teoria, os créditos-trabalho são atribuídos às matérias que demandam uma grande carga de desempenho, com exigências altas de leituras, realização de seminário e outros exercícios realizados fora da sala da classe. No entanto, não se iluda, algumas matérias cobram bem mais do que atribuem como crédito.

Contudo, não há diferença entre as duas categorias de créditos, o que significa dizer que, caso curse uma disciplina que ofereça 1 crédito aula e 1 crédito trabalho, serão computados no total 2 créditos.

Bom, agora que você sabe a diferença entre crédito-trabalho e crédito-aula, é importante ter em mente que as AACs serão recompensadas com ninguém mais ninguém menos que os créditos-trabalho. Mas, com o objetivo de não sobrecarregar e aumentar a carga horária do franciscano, foi estabelecido que a 1 crédito AAC correspondem 2 créditos em disciplinas eletivas.

As atividades que garantem a obtenção de créditos AACs são: estágio a partir do 6º semestre – 3 a cada 6 meses de contrato, com um limite de 6 créditos; projetos vinculados ao PUB (Programa Unificado de Bolsas) – 2 créditos por semestre; monitoria por meio do PEEG (Programa de Estímulo ao Ensino de Graduação) – 2 créditos por semestre; representação discente no âmbito político ou estudantil – 2 créditos por semestre, com limite de 6 créditos; extensões – 1 crédito a cada 30 horas de atividade; iniciação científica – 8 créditos por semestre; grupos de pesquisa – 2 créditos por semestre; projetos de pesquisa ou apresentação de trabalhos em congressos que não o SIICUSP (Simpósio Internacional de Iniciação Científica e Tecnológica da USP) – 2 créditos por semestre, com limite de 4 créditos; e, por último, mas não menos importante, participação em autoria de artigo científico – 2 créditos por semestre, com limite de 4 créditos.

Como pode-se ver, são diversas as atividades que garantem créditos AACs. No entanto, no fim, só serão contabilizados os 6 créditos AACs obrigatórios como tal. Quando passam do número exigido, passam a valer como créditos livres.

Ao todo, para a 194 e turmas posteriores, serão exigidas 555 horas de créditos livres. Para descobrir quantas dessas horas – que podem ser preenchidas tanto com créditos AACs quanto com disciplinas – já foram cursadas, é preciso voltar às origens vestibulandas e fazer algumas contas. Para créditos AACs (excluindo os 6 obrigatórios) é preciso multiplicar o número ofertado por 30 e os outros créditos livres por 15.

Por exemplo, digamos que Huciano Luck é um aluno da 194 e cursou 15 créditos AACs, 48 optativas eletivas e 6 optativas livres. Levando-se em conta que é necessário cumprir 6 créditos AACs e 42 créditos optativos eletivos, faremos a conta excluindo os números obrigatórios. Assim, teremos 9 créditos provenientes das AACs e 12 das optativas livres eletivas (pois os obrigatórios não entram para a conta e o que sobra integra o vasto mundo de horas livres). Multiplicando 9 por 30 e 12 por 15 teremos como resultado 450, que é o número de horas de créditos livres que o aluno já cursou. Por fim, tem-se que, das 555 horas exigidas, Huciano Luck necessita cumprir mais 105 horas realizando disciplinas ou participando das AACs.

Para os veteranos, os créditos AACs não são obrigatórios, mas entrarão no regime das 735 horas exigidas com créditos livres para as turmas 193 e anteriores. Os créditos obtidos antes de 2021 serão contabilizados como créditos aulas, incluindo os créditos provenientes de extensões. Por isso, ao fazer a contagem, os números precisam ser multiplicados por 15, até alcançar as 735 horas obrigatórias.

Em relação às extensões, vale a ressalva de que, a partir deste ano, não haverá limite de fornecimento de créditos. Ou seja, você poderá participar de uma mesma extensão durante os 5 anos de curso e receber créditos por ela durante todos os 5 anos.

Parece complicado, né? Mas na prática é bem mais simples do que parece. Para facilitar a vida de todo mundo e tranquilizar o seu sono, a Representação Discente organizou uma planilha, na qual você pode organizar os seus 5 anos - ou talvez mais - de graduação, sem correr o risco de reprovar por falta de créditos cumpridos.

Ao menos até que haja uma outra reforma, esses são os requisitos para sair da Sanfran (formado) e jogar na cara daquele parente que sempre duvidou de você.

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