A entrada na faculdade é um momento marcante para praticamente todo franciscano. Se preparar, prestar vestibulares, estudar para as provas… e, finalmente, encontrar o nome na lista de aprovados. Seja pela Fuvest, Sisu, transferência, todos tiveram que entrar na faculdade de alguma forma. Mas e se você não precisasse entrar na São Francisco para estudar lá? Pois isso já foi testado por uma aluna misteriosa, que frequentou a faculdade durante quatro meses, há quase duas décadas.
O ano era 2003. Os calouros da turma 176 estavam chegando na faculdade para suas primeiras aulas. Tudo parecia normal com os novos rostos franciscanos, e o ano letivo se iniciava como sempre.
Porém, uma caloura, em particular, tinha algo de misterioso: seu nome. Ou melhor, nomes, pois ela respondia por Daiane, Daiana, Tayane, Taiana… A aluna, para explicar essa confusão, alegava que estava mudando seu nome. Os motivos também variavam bastante, iam desde a alegação de seus sobrenomes serem longos demais, passando por problemas com a mãe, chegando até mesmo à possível existência de uma prostituta com o mesmo nome que ela, o que lhe causaria problemas na rua onde morava.
Justamente por isso, ela evitava usar o nome sempre que possível. Seja na lista de presença ou em suas participações em classe, essa era uma questão que a aluna tentava driblar. A omissão de outros dados também não era incomum: seu número de telefone, endereço e mais informações também eram mantidos em segredo.
Mesmo assim, ela cursou todas as matérias do primeiro semestre da faculdade. Sempre chegava cedo, aparecia para todas as aulas, participava dos trabalhos, fez provas… chegou a assinar listas para os colegas, fez também amigos na faculdade, era tida como uma excelente estudante. Enfim, participou de tudo que podia.
Contudo, a aproximação do final do semestre trouxe alguns empecilhos. Alguns dos outros alunos começaram a desconfiar um pouco da garota. Mas o real problema foi quando uma denúncia anônima foi recebida pela diretoria, a qual acusaria a caloura de não ser uma aluna real da São Francisco. Além disso, a nota de um trabalho também contribuiu para a hipótese, uma vez que os professores e monitores perceberam que o nome da aluna - nenhum dos que ela utilizava - estava na lista oficial.
Após a devida averiguação, ficou constatado que, realmente, ela nunca tinha entrado na Faculdade de Direito da USP. Alguns dos boatos sugeririam que ela sequer teria tentado.
O caso polarizou opiniões. Alguns gostaram da atitude da aluna, chegando até mesmo a elogiá-la pelo feito, enquanto outros duvidaram das suas intenções e condenaram a mentira. A diretoria debateu a questão e teria permitido que ela frequentasse algumas das aulas como aluna ouvinte. Fato é que a polêmica foi tão grande, que o episódio acabou até mesmo ganhando uma reportagem na televisão.
Após o alvoroço, a garota parou de frequentar a faculdade e desapareceu em poucos dias. Ela teria mandado notícias de que estaria agora estudando na Inglaterra, mas a identidade e o destino da falsa aluna do Largo São Francisco continuam um mistério.

