Salas da SanFran: Quem foi o “Conselheiro Crispiniano”

João Crispiniano Soares, ou “Conselheiro Crispiniano”, foi um dos inúmeros ilustres juristas e políticos formados em nossa Faculdade. João fez parte da turma 3 da São Francisco, tendo se formado em 1834 e foi o primeiro “Professor Titular” (equivalente ao que na época era chamado de “Lente Proprietário”, e como ainda chamam em Portugal) de Direito Romano das Arcadas do Largo São Francisco.

O antigo aluno se destacou por ter sido Presidente de quatro províncias distintas ao longo do século XIX (Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, nessa ordem), além de presidente da Câmara Municipal de São Paulo entre 1838 e 1847 e deputado geral por Mato Grosso.

Aos 26 anos, junto foi nomeado professor-substituto da Academia pelo Decreto de 23 de abril de 1836 (na mesma época também foi nomeado seu colega de turma aquele que também viria a batizar uma das salas do primeiro ano, o Barão de Ramalho, o qual viraria primeiro Professor Titular de Processo Penal e Direito Civil). Lecionou Direito por mais quase quatro décadas até a sua morte, afastando-se somente para ocupar seus demais cargos públicos e por ter que se deslocar periodicamente à capital, tendo em vista que foi advogado do Barão de Mauá.

Foi somente no ano de 1853, pelo Decreto nº2 1.134, que os cursos da Faculdade de São Paulo e Olinda passaram a ser chamados propriamente de faculdades de Direito e, na mesma oportunidade, foi adicionado ao currículo da faculdade as matérias de Direito Romano (a qual Crispiniano tornou-se Professor-Titular) e Direito Administrativo.

Era próximo também do eternizado Julius Frank, que o apelidara de “Guizot” e assim o chamava.

Historicamente na São Francisco, os bedéis acompanhavam os Professores a todo momento na Faculdade, sendo que cada docente era acompanhado por um bedel. O bedel de Crispiniano chamava-se Firmino, o qual era muito conhecido e querido pelos alunos.

Pelos estatutos da Faculdade, perdia o ano o aluno que alcançasse 40 faltas. Nessas horas, era comum que apelassem para Firmino, que (supostamente) “acertava as contas”, mediante algumas garrafas de vinho.

No final do ano letivo, Crispiniano averiguava as faltas seus alunos:

” - O Sr. Fulano de Tal perdeu o ano: quarenta faltas!

- Peço perdão ao Senhor Conselheiro: o Senhor Fulano deu 35 e não quarenta faltas!, dizia Firmino.

- Dou a sua conta como certa, Senhor Firmino. O Senhor tem a fé pública!, retrucava Crispiniano”

João Crispiniano Soares, ou “Conselheiro Crispiniano”, encontra-se eternizado no térreo franciscano batizando uma de suas salas, onde tradicionalmente abrigam-se os alunos do primeiro ano da graduação.

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