Introdução à chatice franciscana I

Sim, caríssimos leitores; chegou a hora de termos aquela conversa. Sem fechar a porta na minha cara ou dizer que é constrangedor falar disso comigo; sei que não é fácil, e não quero deixar ninguém desconfortável, mas todos sabemos que o tópico é sensível e que durante toda a sua vida a inevitabilidade dessa discussão concretiza-se cada vez mais. Vamos lá. Franciscanos são, de fato, chatos?

Resposta curta: Sim. Resposta longa: Sim. E não. Estudos mostram que é mais complexo que isso. Segue artigo-notícia estudando o caso.

Bem, tratando-se de um texto de altíssimo rigor científico, não surpreende o estagiário da ABNT (você) que a estrutura e teor deste artigo sejam de excepcional rigidez técnica e gramatical. Além do mais, ao falarmos da chatice franciscana, estamos tratando de um tópico que, querendo ou não, carrega consigo um enorme peso no mundo acadêmico. Por isso gostaríamos de começar o estudo com a frase de uma grande pessoa:

“Você faz sanfran? hahaha que merda”

Para aqueles que se perguntam a identidade do sábio profeta, a equipe responde: qualquer um na rua depois de 30 segundos de conversa. Nunca foi surpresa a fama da faculdade. A pergunta é: Os estudantes da faculdade fazem jus à essa tão atribulada   chatice franciscana? E se não fazem, por que algumas pessoas parecem tanto querer fazê-lo? Os dados são surpreendentes.

Uma pesquisa com 100 franciscanos revelou que após terem sido perguntados “Você conhece algum Franciscano chato?”, todos os 100 disseram que sim. Mas parece que a conta não bate. Ao terem sido perguntados “Você se considera um franciscano chato?”, recebemos somente 27 respostas afirmativas. Algo está errado. E nossa equipe foi investigar.

A equipe conseguiu acesso exclusivo a três parcelas exclusivas da vida na Faculdade. O primeiro é o ambiente de aula, o segundo, os grupos de sala,e por fim, o CAAPTPH (Complexo de Adulação Amistosa com Tiradas Pseudo Humorísticas, ou, para os franciscanos, “spotted”).

O ambiente de aula é extremamente relativo. Enquanto alguns se empenham em sua discrição para saírem dali o mais rápido possível, outros preferem exibir suas penas jurídicas  (muito mal-formadas) para todos - são os chamados palestras. O ódio a essa classe universitária parte não só dos alunos como também dos próprios professores.

Entrevistamos pessoas de algumas entidades da faculdade a respeito do que fazer com o problema dos palestrinhas:

M.V, da Enactus SF, entidade beneficente com foco em auxílio a ONGs: É um problema muito sério né, às vezes até ético… enquanto um quer aprender, o outro quer, às custas da aula, mostrar o que aprendeu… tudo isso seria resolvido com um pouco de empatia e inclusão na sala de aul- [entrevistador dormiu]

A.B, do Arcadas Vestibulares: morram todos.

B.S, da Sanfran Jr.: Se nós da Jr. somos palestrinhas? Você tem a cabeça muito pequena, não é possível, qualquer um que tenha pelo menos dois neurônios, o que não é o seu caso, sabe que  [interrompido por linguagem obscena].

A presença de palestrinhas nas salas de aula é argumento irrefutável e ratificante da tese primária. Os Franciscanos são, de fato, chatos. A presença, porém, de pessoas genuinamente interessadas em aprender e realmente gentis umas com as outras (muitas vezes observadas em situações monitoriais), faz com que pensemos duas vezes antes de afirmarmos com certeza acerca da chatice franciscana.

Nesse sentido, faz-se pertinente a análise dos grupos de sala. Como compreender uma instituição tão complexa? A regra é clara: Quanto mais pessoas, menos importante. Segue análise empírica do conteúdo de cada tipo de grupo:

Grupo calouros + veteranos: Durante as três primeiras semanas é o lugar de troca de experiências, histórias e fonte de inspiração para os calouros. Depois disso, se prepare para olhar para o celular desnecessariamente por pelo menos 3 vezes ao dia - são as correntes;

Grupo Diurno/Grupo Noturno: Correntes;

Grupos de salas gêmeas: Compartilhamento geral de cadernos, informações sobre provas e ponderações sobre mandar ou não e-mails de adiamento de trabalho aos professores;

Grupo da sala: Cadernos, dúvidas sobre a matéria, perguntas sobre horários, atividades, provas, trabalhos e monitorias. Outras coisas que não serão enunciadas pois ainda não sabemos o alcance desse texto;

Grupos de modalidades esportivas: Pessoas com interesses comuns tendem a se dar bem. Melhores grupos da faculdade para além dos 

Grupos menores (de amigos): Possuem todos os tipos de pessoas possíveis. As panelinhas franciscanas variam de pessoas que não ligam para a faculdade a pessoas que dão a vida por ela, passando por esquerdistas canceladores e por anarcocapitalistas mascarando-se de liberais. Videogames, natureza, drogas, esporte; de tudo um pouco, tem até quem goste de direito.

O veredito a respeito dos grupos é inconclusivo. Apesar de possibilitarem núcleos de chatice franciscana, por muitas vezes eles se manifestam como lugares de acolhimento e solidariedade, o que é, inegavelmente, importante para a convivência pacífica e para a manutenção da integridade psicológica dos universitários.

Por fim, a análise das redes sociais. As redes sociais, essa amálgama de desejos e pessoas, inícios, bloqueios e veneno franciscano, é delas que falaremos agora. Falemos do spotted. O Spotted é, sem sombra de dúvidas, subutilizado na São Francisco. Tenho para mim que no momento que os administradores da página conseguirem um plano que permita que utilizem a internet mais de uma vez no semestre as coisas vão deslanchar. E quando penso em subutilizado, não me refiro no sentido de seu uso corriqueiro, perguntar se alguém está solteiro, etc; me refiro ao fato de que ele poderia ser, e ouso dizer, mais como o da FFLCH, uma saída humorística para todo e qualquer desejo ou reclamação do universitário. No spotted que conhecemos, existe a intenção da pessoa que o mandou, o interesse daquela que visualizou e o sentimento da que recebeu. Essa fusão de quereres e sabores eleva essa página a um patamar antropologicamente significativo nas relações franciscanas. O spotted é, com certeza, uma forma de saber o status amoroso das pessoas, mas também um grande instrumental acerca das relações entre amigos da faculdade. Saber a diferença de um spotted verdadeiro para um falso aparentemente faz parte da beleza da coisa. Entender quem comenta e porque comenta é um trabalho investigativo abarcado por grande parte dos franciscanos. Porém, não tendo seu potencial atingido, não consegue nos prover conclusões maiores a respeito da chatice.

Ainda, em questão de redes sociais, a equipe investigou todas as demais, de fotos, pensamentos, compartilhamentos e até de trabalho e chegou em uma conclusão: O twitter é, de longe, a melhor delas. Sobre as outras, a conclusão é a de que o franciscano vive em uma bolha; importante é o entendimento de que as relações de chatice só são estabelecidas porque há um domo que engloba as associações entre franciscanos que faz com que o entendimento do chato não passe do mero xingamento. Conhecer o diferente faz-se cada vez mais essencial, e é uma atividade praticada pelos franciscanos que se dizem mais centrados e lúcidos (agora se esses são chatos é outra conversa).

Em suma, propomos à comunidade acadêmica uma teoria nova, dita por alguns revolucionária. A chatice franciscana não é diferente da chatice mundana, da chatice comum, que há, estatisticamente em todos os lugares; ela só é elevada ao patamar de sua própria prepotência, que, por falta de modéstia, acredita que até sua chatice precisa ser diferente das outras. Ainda, o que isso diz sobre aqueles que escrevem um texto inteiro destinado ao tema? Esses são os piores. Completamente idiotas. A teoria nos leva a crer que o assunto ainda não acabou. A chatice franciscana não se faz estudada por meio de análise pontual, mas sim pela convivência constante com os objetos de estudo. Ainda, é preciso entender que todos acham alguém chato, mas lembre-se, todos são chatos nos olhos de alguém. O franciscano é chato? Sim. Mas quem não é?

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