Existem diversas opções para um estudante universitário prestar serviços à sociedade, mas a aposta da extensão sobre a qual falaremos hoje é o empreendedorismo social para empoderar comunidades vulneráveis. Descubra mais sobre a Enactus e os seus projetos.
Propósito e História
A Enactus é uma organização internacional sem fins lucrativos, espalhada por 37 países, que estimula estudantes universitários, guiados por acadêmicos e apoiados por líderes executivos, a trabalhar a Ação Empreendedora em comunidades desfavorecidas. Isso significa capacitar talentos e lideranças locais a fim de proporcionar um impacto econômico, social e ambiental através da ação inovadora e sustentável.
Confira o relato de Jerônimo Pinho de Souza, que ingressou na extensão em 2020:
“Acredito que o diferencial da Enactus seja conseguir fazer um trabalho social sem guiar-se pelo assistencialismo ou por objetivos imediatistas. A nossa principal meta é construir um programa de longo prazo junto às comunidades, de forma que um dia a Enactus possa sair de cena e elas próprias consigam geri-lo de forma autônoma.”
Para tanto, são disponibilizados aos estudantes treinamentos, programas de mentoria e um acompanhamento da Enactus Brasil, que trabalha na conexão entre as suas diferentes equipes distribuídas pelo país. Ao final, saem ganhando as comunidades - com desenvolvimento, inclusão e emancipação sociais - e os alunos - com a absorção de valores de liderança e ainda com a chance de participar de eventos dentro e fora do Brasil para divulgar os seus projetos para grandes líderes executivos.
Na SanFran, vale destacar, a equipe nasceu de uma iniciativa integralmente de mulheres, no ano de 2015, quando um grupo de alunas resolveu fazer a diferença e levar oportunidades para locais afetados pela desigualdade e nos quais o papel social do Estado não se via cumprido. E foi a partir dos seus ideais de liderança, imaginação, coragem, determinação e parceria que surgiu o time da Enactus USP São Francisco.
Logo no ano seguinte, em 2016, a primeira iniciativa saiu do papel. O (RE)Começos atuou com 20 mulheres que se encontravam no cárcere, na Ala Materna da Penitenciária Feminina da Capital, a fim de promover o seu empoderamento. O empreendimento foi um sucesso e, posteriormente, teve a sua continuação com o nome “Entrelaços”,dessa vez sendo implementado em pavilhões habitacionais e trabalhando, no ano de 2019, com uma frente direcionada à confecção de pulseiras e colares de corda e outras ao empoderamento das detentas. Outro programa marcante foi o Sol Novum, que atuou na comunidade de Heliópolis, em 2018, e foi reestruturado para a comunidade de refugiados, dois anos depois.
Além disso, o time ajudou a elaborar eventos na faculdade, como as três feiras “Sabores do Mundo nas Arcadas”, formadas por imigrantes e pessoas em situação de refúgio, em parceria com o Pró-Migra; a palestra “Habeas Corpus coletivo”; e o webinar sobre “Cárcere, COVID-19 e condição feminina, junto à professora Ana Elisa Bechara.
Projetos e Perspectivas Atuais
A equipe Enactus se divide em quatro áreas: Gestão de Talentos, análogo ao RH de uma empresa; o setor financeiro, que cuida da tesouraria; o RE, que trata de marketing e relações externas; e, finalmente, a gestão de projetos. Apesar de haver uma hierarquia de funções, atrelada à experiência dos membros, preza-se pela horizontalidade na tomada de decisões. Além dessa divisão, há ainda uma separação entre os dois projetos motores: o Entrelinhas e o Sol Novum. Ambos foram estruturados em 2020 e pensados de forma a encarar as barreiras do contato online impostas pela pandemia da covid-19.
O Entrelinhas surgiu da necessidade de paralisar o programa Entrelaços, mas continuar atuando com a comunidade da Penitenciária. Como a visitação foi proibida, a solução encontrada foi trabalhar uma oficina de bordado com mulheres egressas (aquelas que saíram do sistema prisional), conciliada com outras frentes que visam à aquisição de autonomia para que essas mulheres possam, futuramente, adquirir autonomia para tocar o seu próprio negócio social. Mais importante do que aprender a parte mecânica e comercial, elas trabalham noções de protagonismo e empoderamento com a ajuda de convidados, como capacitadores financeiros. Além dos recursos humanos e criativos, a Enactus fornece todo o suporte material e uma monitoria com acompanhamento individual para cada participante, buscando criar um laço de confiança.
Já o Sol Novum trabalha com o ensino da língua portuguesa para refugiados francófonos. Juntamente às aulas, é feito um trabalho de monitoria e acompanhamento individual, visando à solução de outras demandas pessoais, como problemas com documentação, currículo, inserção no mercado de trabalho etc. Tudo isso é feito em conjunto com professores formados em Letras pela USP e pela UNESP, além de ONG’s parceiras, como o ProMigra. Veja a perspectiva de Jerônimo, que dirige o Sol Novum:
“Tivemos muita dificuldade em pensar o projeto porque a comunidade refugiada é muito heterogênea e de difícil diálogo, justamente por conta da língua, pois muitos deles têm receio em se expressar em português. Através da nossa prospecção, nós descobrimos que o idioma seria a demanda primária desse grupo, porque a partir delas podemos satisfazer diversas outras. Atualmente, nós já temos inscritos no projeto 17 refugiados, principalmente haitianos e congoleses.”
Convite
Por fim, mesmo estando limitados pelo contato virtual em meio ao contexto do isolamento social, trazemos mais alguns motivos para fazer trabalho voluntário com esse time, como conta Jerônimo:
“O maior empecilho para fazer projetos sociais à distância é a falta do calor humano, mas sinto que nós estamos conseguindo superar isso por meio das reuniões semanais com a comunidade. Vê-los com as câmeras ligadas nos fazendo perguntas e agradecimentos é algo recompensador. […] O mais gratificante de estar na Enactus é ter a certeza de que eu conseguirei ajudar as pessoas, o que é algo que eu estou cada vez mais incerto de que será possível somente através do direito. […] Por ter ingressado no ano da pandemia, foi nessa extensão que encontrei a possibilidade de socializar com estudantes focados em uma mesma causa e que provam que a união é capaz de ultrapassar qualquer obstáculo.”
A cada início de semestre, a Enactus abre a possibilidade de entrada de novos alunos e encoraja todos a participarem dos próximos processos seletivos. Aos calouros, em breve será aberto edital com o oferecimento de novas vagas. Para aqueles que se interessarem pela entidade e desejarem acompanhar o andamento dos projetos, basta seguir as redes da Enactus USP São Francisco, no Facebook e no Instagram.

