Na série literária de hoje, conheça a história da Márcia (nome fictício), 17 anos, aluna do ensino médio que está cursando o seu 3º ano em uma escola pública estadual no interior de São Paulo.
Quando ele, o vírus, chegou, nossas vidas ficaram em perigo! Poderíamos morrer!
A ciência sabia que a maioria das pessoas iria sobreviver ao ataque do coronavírus. Iria morrer a minoria… Mas, o Brasil é um país com grande desigualdade social, a dita “minoria” pode ser até a maioria da população. Além disso, as minorias são mais do que simples números. Pessoas são mais que simples números! Todos nós, fazendo parte da maioria ou da minoria, merecemos viver!
Ficamos em casa, em isolamento social.
Nos longos dias que se seguiram, a incerteza quanto ao prosseguimento das aulas e a ansiedade quanto ao nosso futuro chegaram fortes.
Passamos a ter aulas pela internet, o que nos trouxe desafios inesperados.
Eu e meus dois irmãos tivemos que nos adaptar com um só computador e com nossos celulares, que não são dos melhores… E, ainda, nossos planos de Internet são limitados.
Percebi que os professores também estavam enfrentando muitas dificuldades para trabalhar com a internet. Era visível o desconforto inicial que eles tinham para trabalhar o conteúdo das disciplinas conosco de modo virtual.
A realidade mudou para meus pais, meus irmãos, para mim e para todos. Especialmente para meu grupo familiar. Tínhamos que lidar com as dificuldades econômicas, que já existiam e aumentaram com o isolamento social. Tratava-se de lidarmos uns com os outros em circunstâncias geradoras de ansiedades e incertezas. Tínhamos que dividir, entre o grupo familiar, os nossos recursos materiais e emocionais. Não foi fácil! Não está sendo fácil!
Meus pais ficaram em casa por algum tempo, incertos quanto à manutenção de seus empregos. Eu e meus irmãos seguem com as aulas online, mas com muita dificuldade, pois a conexão que temos não é das melhores e apresenta instabilidade.
Agora meu pai voltou ao trabalho. Minha mãe, que é empregada em uma loja de roupas, voltou também. No entanto, o movimento comercial diminuiu muito e ela está com uma remuneração menor.
Em relação às nossas aulas, o que nos ajudou bastante foi o uso do WhatsApp. Na realidade de escola pública, grande parcela de alunos passa por dificuldades econômicas, portanto o WhatsApp é o meio de comunicação mais prático e mais acessível. Dessa forma, os professores da minha escola elegeram essa rede social como a mais útil, porque eles comunicam conosco através desse aplicativo, para transmitir vídeo aulas e para esclarecer dúvidas sobre os exercícios que fizemos. Ajuda bastante.
Mesmo assim, vários colegas não têm acesso nem sequer ao whatsapp. E há outros colegas que vivem na zona rural da minha cidade e lá, quando tem o sinal da internet, é muito instável. Como forma de tentar solucionar estes dois problemas, sei que os professores mandam os exercícios e atividades para a escola. Lá, em alguns dias da semana, os coordenadores fazem plantão para que os alunos ou pais busquem as atividades e realizarem em casa. No entanto, essa solução não é uma solução! É óbvio que esses alunos são os mais prejudicados em seu aprendizado!
Acho que todos nós fomos prejudicados por essa situação. Inicialmente, eu até gostei de ficar em casa, sem acordar tão cedo. No entanto, percebi que sinto falta dos colegas e dos professores, e, por mais incrível que pareça, sinto falta até das disciplinas nas quais tenho mais dificuldade para aprender, porque acho que, presencialmente, eu entenderia melhor essas matérias! Enfim, sinto falta da minha rotina de ir todos os dias à escola e encontrar pessoas lá, mesmo com os problemas que há na escola. A gente meio que já se acostumou com esses problemas. Mas isso não é uma coisa boa. Eu gostaria que a escola tivesse mais coisas interessantes para oferecer para os alunos…. Sei lá, gostaria que a gente participasse mais das decisões do dia a dia da escola.
Estou fazendo o último ano do ensino médio e não sei quando vou fazer faculdade. Também não estou bem certa do que quero prestar no vestibular… Às vezes, penso em engenharia, outras vezes, penso em administração… De qualquer forma, só vou tentar decidir no próximo ano. Este ano “já deu”. E depois do vestibular vou ter que procurar um emprego e tentar fazer a faculdade à noite. Estudar na faculdade pública é muito difícil, são muitos alunos para poucas vagas. E eu não tenho condições econômicas para pagar um cursinho de vestibular. Talvez eu faça novamente o terceiro ano do ensino médio… É uma possibilidade que a Secretaria da Educação nos ofereceu.
VENHA CONHECER OS DIFERENTES ENSINOS NA PANDEMIA!
Mais do nosso projeto, postagens às quartas e sábados, até a conclusão! Acesse e compartilhe!
Introdução - Link
Relato: Professor de Cursinho Popular - Link
Relato: Aluno de Cursinho Popular - Link
Relato: Aluno de Cursinho Privado - Link
Relato: Aluna de Ensino Médio Privado - Link
Relato: Professora de Ensino Médio Privado - Link
Relato: Professora de Ensino Médio Público - Link
Relato: Aluna de Ensino Médio Público - Link
Conclusão - Link
