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Na série literária de hoje, conheça a história de Gabriel (nome fictício), 20 anos,  aluno de cursinho popular, Arcadas Vestibulares. 

Sou, atualmente, um vestibulando e aluno do cursinho popular Arcadas Vestibulares, localizado na Faculdade de Direito da USP, o curso e a universidade que eu pretendo prestar. Mas claro que a Fuvest não é a minha única opção, porque não é nada fácil entrar na USP. Por mim, a preferência é sempre estudar numa faculdade pública, por causa da situação socioeconômica da minha família. Vou prestar vestibulares para algumas faculdades particulares também, mas só vou estudar numa particular se eu conseguir uma bolsa para me sustentar. 

O ano de vestibulando nunca foi fácil, mas esse ano ficou ainda mais difícil por causa da pandemia de Covid-19. Foi muito problemática a transição e a adaptação para EAD. O Arcadas criou diversas formas para se adaptar melhor à pandemia, e às aulas à distância, no seu modo de ensino, material didático, entre outras coisas. Foram criados vários tipos de suporte para enfrentar os problemas que surgiram com o EAD. Foi criado o plantão por Discord, que tenta simular um plantão presencial. Plantões pelo e-mail das equipes, e contato direto com os plantonistas e professores, para aqueles que não conseguem frequentar os plantões nos horários fixos pelo Discord. As aulas são ao vivo pelo Meets, com as suas gravações ficando no drive e site, pensando em pessoas que não tem boa qualidade de internet para assistir as aulas ao vivo. Também ofereceram auxílios financeiros, como auxílio internet, e bolsas para o pagamento das taxas de inscrição para os vestibulares…

Mas mesmo assim, foi difícil me acostumar com a nova forma de estudo. No início da quarentena, pensava que voltaríamos às aulas normais em abril ou, no máximo, em maio. Mas, até agora não voltamos…

As aulas passaram a ser dadas virtualmente, muitas delas eram videoaulas. Por mim, assistir esse tipo de aula é muito mais cansativo do que assistir as aulas presencialmente, porque gasto muito mais tempo para uma aula com mesma duração. As aulas ao vivo são muito mais fluidas, e os alunos podem tirar as dúvidas na hora. Acabando nos 45 minutos de aula, os alunos não conseguem, mas também não precisam, pensar nas matérias dadas, e tentar assistir a aula de novo para pegar cada fala do professor. Nas aulas gravadas, acabo sendo muito perfeccionista. Se eu perco ou não entendo algo, preciso parar a gravação e voltar, reassistir o trecho até entender totalmente a matéria. Isso quase dobra o tempo da aula. 

Além disso, tenho bastante problema com internet, a conexão cai e volta, isso me deixa bem estressado. Mas até agora não sei o porquê desses problemas, se é de internet mesmo ou é do meu computador, porque às vezes a internet funciona muito bem no meu celular, mas não funciona no meu computador. 

Enfim, para me adaptar ao novo cenário, tive que procurar formas mais eficientes de estudo. Para isso, criei uma agenda e encaixei todas as pendências nela. Mas mesmo assim, no início da pandemia, ficava uma ou duas noites durante a semana sem dormir, porque não estava conseguindo fazer todas as tarefas, o que me deixava ansioso. 

Além disso, tive que criar um espaço apropriado para que eu conseguisse estudar em casa, não existia esse espaço antes. No início da quarentena, tive que estudar na cozinha, já que não tinha mais nenhum outro lugar melhor para isso. Mas não dava certo, não conseguia estudar bem … Ainda bem que minha mãe me apoiou bastante: ela pediu para que fizessem um móvel parecido com uma escrivaninha para o canto do meu quarto. Com isso, consegui me organizar e estudar melhor, e mesmo tendo sempre aqueles barulhos da família e do vizinho, já me acostumei e não me distraio mais. 

Acredito que a minha situação reflete a situação de vários outros alunos, principalmente os do cursinho popular. No entanto, acredito que foi mais fácil para mim do que para meus colegas, porque já frequentei cursinho nos outros anos. As matérias dadas quando a quarentena começou e quando estávamos em adaptação (época mais desorganizada), eram as matérias mais básicas, que eu já tinha entendido por causa dos meus esforços nos outros anos. Mas para aqueles que estão no seu primeiro ano de cursinho, principalmente para quem era da escola pública, acredito que a transição deve ter sido mais difícil ainda. Porque, mesmo sendo básicas, as matérias podiam ter sido novas para eles e, para acompanhar os conteúdos do segundo semestre, a base do primeiro  é de extrema importância. 

Enfim, agora estou mais adaptado com EAD. Até vejo alguns pontos positivos das aulas remotas. Por exemplo, todos os materiais e as gravações das aulas ficam arquivados, posso dar uma olhada neles a qualquer hora sem ter medo de perder. Mas ainda sinto que o meu rendimento é maior com aulas presenciais. Como já falei, demoro muito mais para absorver os mesmos conteúdos e me distraio com maior facilidade. No ano passado, que também fiz Arcadas, conseguia fazer uma redação em pouco tempo, já que na SanFran existiam espaços mais apropriados e conseguia me concentrar mais. No EAD, fiquei com certa dificuldade para escrever as redações. Um outro problema do EAD é que a socialização ficou muito mais difícil, não tenho mais aquele intervalo entre as duas aulas para conversar com meus amigos e andar pelo pátio…

Mas, mesmo preferindo aulas presenciais, é preciso analisar com cuidado o seu retorno. Sem dúvida, todos os alunos deverão usar máscara. Mas, conforme vai passando o tempo, as pessoas vão se descuidando e deixando de usar. Não tenho nenhuma dúvida sobre isso. O perigo disso é a possibilidade de uma nova elevação de casos de coronavírus, o que seria terrível. Por mim, seria muito legal o retorno das aulas, até para ver os amigos, só que quando isso confronta a questão de saúde, acho que ela deve prevalecer. 

Falando em adaptação, por causa da calamidade atual, sem dúvida alguma, o vestibular deve se adaptar ao contexto da pandemia. Para isso acho que é essencial o seu adiamento  e redução dos conteúdos cobrados. O vestibular já era injusto, porque nem todo mundo recebe a educação necessária que a Constituição propõe. É uma ilusão pensar que todos sabem o que é um polinômio, por exemplo. A pandemia só tornou a educação mais injusta ainda. Em primeiro lugar, nem todos têm a infraestrutura necessária para acompanhar as aulas de forma remota. Segundo, nem todas as pessoas têm a mesma condição de se proteger contra o vírus e podem se dedicar totalmente ao estudo, sem precisar se preocupar com a condição financeira da família. 

Por mim, quem está realmente conseguindo estudar são os mais favorecidos, que têm uma boa base de estudo, com ambiente e infraestrutura adequada, e que conseguem estudar de forma mais tranquila, sem se preocupar com questões financeiras ou com a saúde da família

VENHA CONHECER OS DIFERENTES ENSINOS NA PANDEMIA!

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Introdução - Link

Relato: Professor de Cursinho Popular - Link

Relato: Aluno de Cursinho Popular - Link

Relato: Aluno de Cursinho Privado - Link

Relato: Aluna de Ensino Médio Privado - Link

Relato: Professora de Ensino Médio Privado - Link

Relato: Professora de Ensino Médio Público - Link

Relato: Aluna de Ensino Médio Público - Link

Conclusão - Link

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