Semana passada tratamos dos artigos científicos [1] e nessa iremos apontar alguns aspectos de outros tipos de publicação: livros, capítulos de livros, traduções e resenhas. O principal traço que distingue esses tipos de publicação dos artigos diz respeito ao fato de que não são necessariamente analisados antes (por pareceristas, por exemplo) e, se o são, não se espera o mesmo nível de rigor.
A publicação de livros por parte dos(as) pós-graduandos(as) ocorre principalmente quando ele(a) incorpora as sugestões da banca de defesa e decide publicar o trabalho acadêmico (dissertação ou tese) na forma de livro. A vantagem é que existe certa presunção de que a versão publicada está atualizada, além de que a circulação em formato de livro é mais vantajosa em termos de citação – e algo ainda bastante valorizado na Academia e nos concursos públicos, apesar do mercado editorial dar mostras de declínio. Deve-se ter cuidado na hora de se escolher uma editora, pois há muitas editoras “predatórias” no mercado, interessadas apenas no dinheiro do(a) autor(a) – em outras palavras, elas aceitam publicar qualquer coisa desde que o(a) autor(a) pague. A sugestão é procurar pelas editoras mais consagradas no meio jurídico (algumas, inclusive, são especializadas em publicar mais em certas áreas do direito) ou que tenham pelo menos um comitê editorial confiável. Mesmo assim, raras são as editoras que não cobram do(a) autor pela publicação da obra. Vale ressaltar que há uma proposta para a alteração do “Qualis Livro” [2], atribuído pela CAPES aos livros e que conta como pontuação na avaliação trienal dos programas de pós-graduação.
Os capítulos de livros são escritos geralmente “sob demanda”, isso é, quando algum(a) autor(a) decide elaborar uma coletânea de artigos sobre algum assunto ou área, para homenagear alguém ou para reunir as conferências proferidas em determinado evento. Assim, ele(a) convida determinadas pessoas para que integrem a obra por meio de um capítulo. Isso torna tal tipo de publicação mais “popular”, vez que os critérios para sua aceitação são mais flexíveis. Por outro lado, como o acesso à produção depende da aquisição do livro pelos(as) leitores(as) ou pelas universidades, isso torna seu acesso mais restrito. Vale ainda ressaltar que, em termos práticos, não há pontuação para capítulos de livro pela CAPES.
A tradução de artigos e livros ainda não é uma prática muito difundida no meio acadêmico da pós-graduação. O que se percebe é que ela varia conforme a demanda – normalmente, opta-se por traduzir um artigo que teve grande impacto na área quando publicado ou um livro de algum(a) autor(a) importante e muito citado(a) (na área do Direito, principalmente os(as) alemães(ãs)). Ainda, há autores(as) que, como dialogam com várias áreas das Humanidades, são traduzidos(as) independentemente da “facilidade” da língua – é o caso, por exemplo, dos(as) franceses(as). Em uma escala menor, autores(as) que escrevem em língua inglesa ou espanhola.
A resenha é outro tipo de produção acadêmica, possivelmente a menos difundida – talvez pelo desconhecimento dos(as) pós-graduandos(as) sobre como fazê-la. Trata-se da análise de alguma obra (geralmente, publicada há pouco tempo), na qual, além da descrição do conteúdo (síntese), o(a) resenhista deve também externar seu ponto de vista sobre o(s) argumento(s) central(is) e outros pontos – positivos e negativos – que lhe chamaram a atenção (comentário/crítica).
Por fim, vale mencionar que existem outras formas de publicação, menos comuns: textos em revistas e jornais, textos em blogs ou portais, etc. A razão pela qual não são tão difundidos é a facilidade com que são publicados (e disso decorrer, possivelmente, falta de qualidade) e, é claro, por não “pesarem” tanto no currículo Lattes. Uma destas publicações que merecem destaque são os blogs especializados. Trata-se de uma opção para circular ideias ou temas de forma breve, menos aprofundada e mais direta, aproveitando o timing do assunto e a rapidez de sua circulação. No exterior, há vários blogs vinculados a revistas internacionais ou portais especializados e que contam com professores(as) reconhecidos(as) internacionalmente como editores(as) ou autores(as). Esse tipo de publicação em blogs especializados é uma tendência que está aumentando no Brasil.
[1] Como publicar na Pós-Graduação – Parte I: artigos científicos (https://gazetaarcadas.com/2020/07/19/como-publicar-na-pos-graduacao-parte-i-artigos-cientificos/).
[2] Disponível em: http://www.capes.gov.br/images/novo_portal/documentos/DAV/avaliacao/12062019_Proposta-de-Classifica%C3%A7%C3%A3o-de-Livros_GT-QualisLivro.pdf.
