Tempo de Leitura: 5 minutos

1934 foi um ano de intensas transformações na sociedade brasileira, com mudanças significativas na educação, cultura, saúde, lazer, e, após vários anos de luta, a incorporação do sufrágio feminino. É nesse ano que nasce, em 12 de setembro, Ivette Senise Ferreira, a mulher que viria a ocupar o cargo de primeira e (até o momento) única diretora no Largo São Francisco.

Senise nasceu no interior de São Paulo, na cidade de Catanduva, onde residiu por apenas três meses, até se mudar para Marilia, outra cidade do interior paulista. Ficou lá somente por quatro anos quando se mudou para a capital, no bairro de Pinheiros, local em que passou a sua infância.

Realizou seus estudos primários no Grupo Escolar Godofredo Furtado, e depois, seu colegial no renomado Instituto de Educação Caetano de Campos (onde atualmente se situa a Secretaria Municipal de Educação, na praça da República), onde foi escolhida para ser oradora da turma. Além disso, frequentou o cursinho preparatório Catalões, quando, após um diálogo com seu amigo no saudoso sistema de bonde paulistano, Senise optou pela carreira de Direito.

Ivette Senise ingressou nas Arcadas no ano de 1953, onde teve especial paixão pelo estudo e ensino de línguas estrangeiras. Poliglota falao fluentemente o inglês, o francês, o italiano e o alemão. Foi também durante a graduação que estagiou na penitenciaria do Carandiru, apaixonando-se pelo Direito Penal.  Formou em 1957, pela Turma 126, após a qual cursou especializações em diversas áreas do Direito, como Criminologia, Organizações Internacionais, Direito Internacional Privado, História das Idéias Políticas e Direito Constitucional Comparado. Fez sua pós-graduação em direito penal na Sorbonne, uma das mais antigas universidades de Paris. Em seguida, retorna ao Brasil e defende sua tese de doutorado sobre “Aborto Legal”, além de começar a lecionar Introdução à Ciência do Direito na PUC, de 1969 a 1973. Paralelamente, começou a ensinar nas Arcadas como docente voluntária de Direito Penal. Após anos de esforço e dedicação, foi adquirindo espaço nos quadros da Facvldade, chegando ao cargo de professora titular do DPM.

Além disso, antes de chegar ao cargo de diretora Ivette materializa seus esforços e conquistas e sua participação em diversas comissões e entidades dentre elas a Comissão de Cultura, Extensão Universitária e de Pesquisa da FDUSP; do Conselho Técnico do Centro de Recursos Humanos da Administração Penitenciária do Estado de São Paulo, do Conselho Nacional da Federação das Associações de Mulheres de Negócios e Profissionais do Brasil, do Conselho Estadual de Política Criminal e Penitenciária do Estado de São Paulo. Em 1976, integrou grupo de trabalho, nomeada pelo então governador do Estado de São Paulo, Paulo Egydio Martins, para elaborar estudos com vistas à implantação de uma Escola de Administração Penitenciária. Em 1993, integrou a Comissão de Juristas, instituída por decreto, para elaborar o projeto de Código Ambiental Brasileiro. Em Paris, no ano de 1995, integrou a International Working Group, instituído pela Unesco, em conjunto com a Fundação Cousteau, para a implantação das Cátedras Internacionais de Ecotecnia.

Em 1998, conseguiu ser eleita diretora da FDUSP por uma banca majoritariamente masculina, a primeira mulher a ocupar esse cargo, Concomitantemente à sua eleição, chegava ao cargo também a primeira mulher vice-diretora Profa. Dra. Odete Medauar. E igualmente Andrea Mustafa a primeira aluna a ser representante do Centro Acadêmico Xl de agosto.

Após sua diretoria, Ivette Senise foi eleita em 2009 para o cargo de presidente do Instituto dos Advogados de São Paulo, o IASP, a advogada defendia a ideia de que a conciliação e a arbitragem são o futuro da Justiça.

Ivette senise

Ivette Senise em sua posse como diretora, 1998 (créditos: divulgação/FDUSP)

** Conheça também a história de Lygia Fagundes Telles e Hilda Hilst, matérias anteriores de nossa série

Share via
Copy link
Powered by Social Snap