Até aos mais desligados dos franciscanos foi impossível não perceber a presença inusitada de um enorme satélite em meio ao pátio das Arcadas desde o início dessa semana. Novamente o espaço da Faculdade surpreende a todos. Dessa vez, com uma exposição que traz um tanto de tecnologia e modernidade a uma localidade tão clássica.
A intervenção em pauta é a obra “Satélite”, de Renato Maretti que - ao lado de Pedro Andrada - é um dos curadores da exposição “Back-end: vigilância, arte e privacidade”, que teve início nesta segunda-feira (19) e se estende até o dia 06 de setembro.
Back-end é um termo utilizado para tratar de programadores responsáveis pelo sistema de gerenciamento de dados das plataformas digitais. Além deles, há os front-ends, responsáveis pela interface que aparece para o usuário. O design de um site, por exemplo, está associado ao front-end. Já o back-end, cuida de camadas mais profundas desse desenvolvimento, como a parte de programação ou a criação do código que permite o funcionamento do site em questão.
A exposição conta com apoio do InternetLab, centro de pesquisa independente em direito e tecnologia, e se relaciona com o que vem sendo trabalhado pelo NDIS-USP (Núcleo de Direito, Internet e Sociedade), extensão da Faculdade, bem como com o III Congresso “Direitos Fundamentais e Processos Penal (entre os dias 21 e 23 de agosto).
A proposta da exposição é incitar a reflexão sobre a cultura de vigilância por vias tecnológicas e de que maneira ela impacta a sociedade, trazendo a discussão dos mecanismos que a sustentam e que não são, necessariamente, visíveis o tempo todo. Essa realidade acaba por gerar impactos diretos na maneira como os indivíduos se relacionam pela imposição de relações de poder, que acabam por os colocar em posição de certa vulnerabilidade. O tema é extremamente atual dada a febre das fake news e os múltiplos escândalos envolvendo a manipulação e uso de dados para fins comerciais e até mesmo políticos.
Ao tratar da segurança no meio virtual, que se tornou uma realidade por vezes mais presente do que o mundo tátil na contemporaneidade, a exposição fornece mecanismos de interatividade aos visitantes, como a possibilidade de acessar diferentes QR codes existentes entre as obras.
Também se tem a discussão da privacidade, que toma uma nova forma se considerada no meio online, em que dados e informações pessoais acabaram por se tornar verdadeiras mercadorias, e o controle desse “corpo” se faz extremamente mais difícil.
Durante suas quase três semanas de exposição, as obras podem ser vistas no hall de entrada do prédio histórico e em outros pontos diversos da Faculdade. Como parte do mesmo projeto, há ainda duas sessões de filmes e uma performance de dança do Coletivo Cartográfico, que ocorreu nesta quarta-feira (21).

#Pratodomundover: foto do pátio das Arcadas com uma instalação em formato de satélite e antenas parabólicas na peça central.
