Tempo de Leitura: 10 minutos

Em apenas duas semanas as Arcadas foram esvaziadas e assim permanecem há seis meses. O pátio que era espaço de debate e interação, hoje, é apenas memória e as plataformas virtuais, que eram conteúdos de apoio, tornaram-se a realidade do ensino. Após 06 meses de EAD, o Diretor Floriano e a Professora Dallari, comentam suas experiências

Entre erros e acertos, acho o balanço muito positivo, principalmente porque este esforço salvou o ano de toda uma geração discente

- Diretor Floriano De Azevedo Marques Neto

“A Faculdade de Direito pode ter um papel importante na produção de pensamento que subsidie a redução das desigualdades acentuadas pela pandemia.”

- Professora Maria Paula Dallari Bucci

Ainda em março, o CRUESP (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas) divulgou um comunicado que haveria suspensão das aulas a partir do dia 17 devido à pandemia de Covid-19. A nota não trazia informações a respeito da volta. Já estamos há 06 meses aguardando ansiosamente o momento seguro para retorno das atividades presenciais.

O processo todo de transição às aulas online foi inesperado e rápido. Diversos estudantes tiveram que voltar para sua cidade natal, muitos cancelaram os aluguéis de onde moravam e continuam estudando na São Francisco sem sequer morar no estado de São Paulo.

É preciso lembrar que todas essas mudanças tiveram também um forte impacto no corpo administrativo da Faculdade. Há um grande número de funcionários que possibilitam o bom funcionamento das aulas, como professores e pessoal da administração e logística. Querendo entender como tem sido essa experiência para eles, tivemos uma conversa com o nosso Diretor e professor Floriano de Azevedo e com a professora Maria Paula Dallari, Presidente da Comissão de Graduação.

Tudo o que acontece na Faculdade é devido a uma cadeia de setores que funcionam como um sistema orgânico, por exemplo, a secretaria, os departamentos, o serviço de graduação. Segundo Floriano, o corpo administrativo foi rápido e dedicado na adaptação de suas funções e, além disso, ressaltou que “todos os setores responderam bastante bem aos desafios do trabalho remoto”.

Ambos os entrevistados concordam que a grande desvantagem do ensino à distância foi a falta da interação pessoal. Nosso Diretor afirma que “A perda mais relevante é aquela do contato pessoal, da interação aluno-professor e principalmente do convívio interpessoal que é o grande diferencial do Largo de São Francisco”. Do mesmo modo a Professora Dallari disse que “O contato direto com alunos e alunas é insubstituível. Poder ouvir as perguntas dos mais tímidos ao final das aulas, assim como comentários diretos, dar aulas olhando para os estudantes, o movimento do pátio, encontrar os outros professores, tudo isso faz falta”.

Se para os alunos foi difícil se acostumar com os encontros virtuais, não é de se esperar que tenha sido diferente para os professores. Sabemos que muitos deles nunca tiveram a necessidade de lecionar nesses formatos. Sobre isso, a Professora Dallari comentou que: “Os professores, na esmagadora maioria, entenderam os dilemas que se colocavam e se dispuseram, com muito boa vontade, a fazer o aprendizado necessário para as aulas remotas. O fato de a Faculdade já vir realizando oficinas de Moodle desde 2016 e a cada edição da Semana Pedagógica facilitou a ampliação do uso da plataforma, que já era do conhecimento de muitos professores e pós-graduandos que atuam como monitores do PAE.”

A pandemia trouxe dias sombrios a todas, mas afetou principalmente as relações interpessoais, ainda mais em um mundo marcado pela liquidez dos relacionamentos. Não sabemos ao certo o que virá quando – “quando” e não “se” – isso acabar, mas com absoluta certeza poderemos aplicar a Teoria do Devir de Heráclito. Não podemos nos banhar duas vezes no mesmo rio, pois não seremos os mesmos e nem a Faculdade será como antes.

É evidente que o cenário atual é um divisor de águas. Muitas coisas do ensino que, até então, estavam consolidadas e permaneciam imutáveis há anos foram postas à prova. O que esperar do novo mundo que possa vir a surgir após a pandemia e quais mudanças serão irreversíveis?

Confira abaixo a íntegra das entrevistas:

GA – Gazeta Arcadas

FM – Diretor Floriano De Azevedo Marques Neto

MP - Professora Maria Paula Dallari Bucci

Entrevista com o Diretor Floriano De Azevedo Marques Neto

GA - Como tem sido dar aulas virtuais? Quais as partes ruins e boas da interação online com os alunos?

FM - A experiência com as aulas virtuais tem tido um balanço bastante positivo, especialmente se tomarmos em conta que não houve grande tempo para migrarmos e que conseguimos seguir com o curso quase integralmente em um lapso muito curto: a migração se deu em menos de duas semanas.

A perda mais relevante é aquela do contato pessoal, da interação aluno-professor e principalmente do convívio interpessoal que é o grande diferencial do Largo de São Francisco

O ponto mais positivo tem sido o aprendizado com os meios virtuais. Foi muito entusiasmante ver a adesão e o esforço dos professores, mormente os mais antigos, para aprender a lidar com as ferramentas virtuais

Os professores que não migraram para as aulas remotas o fizeram mais por questões políticas e ideológicas, que respeito, do que por falta de recursos e ferramentas

Entre erros e acertos, acho o balanço muito positivo, principalmente porque este esforço salvou o ano de toda uma geração discente

GA - Internamente falando, como o corpo administrativo da Faculdade se adaptou para cumprir as tarefas virtualmente?

FM - De forma dedicada e rápida. Posso afirmar que todos os setores responderam bastante bem aos desafios do trabalho remoto.

GA - O que o senhor espera quando as aulas retornarem? Acredita que, de alguma forma, o cenário da pandemia está mudando definitivamente as dinâmicas de aulas e a postura dos alunos e professores e que isso se refletirá na volta presencial?

FM - Creio que sim. Algumas mudanças me parecer irreversíveis. O uso de recursos tecnológicos como o Moodle, que foi muito difundido, não deve retroceder. O franqueamento de material por meio eletrônico também. As bancas com membros arguindo remotamente, igualmente, devem seguir sendo regra. Enfim, se podemos citar algo de positivo numa pandemia que trouxe tanta tristeza, é o aprendizado que a quarentena nos impôs em relação às ferramentas virtuais


Entrevista com a Professora Maria Paula Dallari Bucci

GA - Como tem sido dar aulas virtuais? Quais as partes ruins e boas da interação online com os alunos?

MP- As aulas remotas têm sido a possibilidade de continuidade do curso. Considero isso importante, por que foi uma das circunstâncias da pandemia que se impôs no mundo todo. A Faculdade pode viver uma experiência, com todas as dificuldades, limites, mas também oportunidades, que influenciou e seguirá influenciando a educação pelos próximos anos. Fazer parte disso deixa estudantes e docentes mais próximos da sociedade.

GA - A mudança abrupta e rápida para as aulas à distância foi sentida de qual forma pelos professores? Quais as dificuldades que o corpo docente teve para se enquadrar no novo ambiente acadêmico?

MP - Os professores, na esmagadora maioria, entenderam os dilemas que se colocavam e se dispuseram, com muito boa vontade, a fazer o aprendizado necessário para as aulas remotas. O fato de a Faculdade já vir realizando oficinas de Moodle desde 2016 e a cada edição da Semana Pedagógica facilitou a ampliação do uso da plataforma, que já era do conhecimento de muitos professores e pós-graduandos que atuam como monitores do PAE. O processo de adaptação às aulas remotas implicou dedicação dos professores para esse aprendizado, e colaboração dos alunos, e em geral foi enfrentado de forma muito positiva.

GA - O que a senhora mais sente falta em relação às aulas presenciais? O ambiente virtual também tem pontos positivos?

MP - O contato direto com alunos e alunas é insubstituível. Poder ouvir as perguntas dos mais tímidos ao final das aulas, assim como comentários diretos, dar aulas olhando para os estudantes, o movimento do pátio, encontrar os outros professores, tudo isso faz falta. Uma vantagem é poder convidar para webinários e atividades professores de outras partes do Brasil e do mundo. O intercâmbio nunca foi tão facilitado como agora.

GA - O que a senhora espera quando as aulas retornarem? Acredita que, de alguma forma, o cenário da pandemia está mudando definitivamente as dinâmicas de aulas e a postura dos alunos e professores e que isso se refletirá na volta presencial?

MP - Como tem sido dito, a rotina nunca mais será a mesma. Seja por que a presença do vírus e as cautelas que ela reclama devem permanecer por um longo tempo, seja por que a organização da sociedade foi profundamente afetada. A Universidade, de maneira geral, é um espaço privilegiado para reflexão sobre os caminhos para reconstruir a sociedade e as instituições. A Faculdade de Direito pode ter um papel importante na produção de pensamento que subsidie a redução das desigualdades acentuadas pela pandemia

Share via
Copy link
Powered by Social Snap