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Associado ao projeto acadêmico “Democracia e seus Desafios no Século XXI”, recentemente, o mundo viu nascer um podcast inovador, cujo nome é o mesmo, a saber, “Democracia e seus Desafios no Século XXI”. A perspectiva do podcast é, justamente, apresentar diversos conteúdos relacionados ao tema da democracia, o que já fazia o próprio site do projeto (https://www.demosxxi.com.br), mas em um novo formato, o formato “podcastal”.

O corpo de participantes fixos é encabeçado pelo Professor Dr. Bruno César Lorencini, e conta com o Professor Diogo Rais, com o Professor Alessandro Soares e com a Professora Thalita Abdala.  No presente momento, o podcast conta com três episódios. O primeiro denominado (i) “Democracias, Autocracias, Covid-19: a crise e seus efeitos” (datado de 11 de abril de 2020); o segundo, (ii) “Síndrome da Fadiga Democrática” (datado de 26 de abril de 2020), e o terceiro denominado (iii) “Presidencialismo vs Democracia (datado de 5 de junho de 2020).

O episódio (i) trata, principalmente, sobre a perspectiva dos participantes quanto às mudanças na Democracia e no sistema eleitoral que poderiam ser causados pela crise sanitária do Covid-19. Assim, o episódio se baseia no princípio democrático, e como a situação modificaria esse princípio.

O episódio (ii) trata sobre o “desencantamento” da sociedade com a Democracia (com a Democracia eleitoral ou com a representação, cada participante variando em sua perspectiva) e suas instituições, o que se denomina “Síndrome da Fadiga Democrática, resultando na ascensão de líderes populistas, no Brexit, etc.

O episódio (iii) trata sobre o presidencialismo e sua relação com a Democracia, partindo de uma análise no contexto histórico global e do atual e histórico brasileiro, de forma a entender o presidencialismo como um possível inimigo da Democracia brasileira e do sistema político brasileiro.

O podcast é muito harmonioso, no sentido de conseguir conciliar, na medida do possível, conceitos e questões acadêmicas (que são necessárias, dado o alto nível teórico alcançado) com a convenção linguística “normal”, de forma a tentar popularizar, melhor dizendo, democratizar os estudos sobre a própria democracia no mundo atual. A democracia grega não é a democracia moderna, não é a democracia liberal nem a democracia social. Isso porque a democracia se modifica conforme se modifica o demos que a compõe, e conforme as circunstâncias que a influenciam, direta ou indiretamente, variam.

O podcast acerta em, justamente, retratar fenômenos contemporâneos (bem como fenômenos no prospecto, numa espécie de “previsão” a partir de causas atuais) sem cair, tanto quanto possível, na parcialidade que proporciona a proximidade histórica, bem como consegue, de forma científica, associar fatos modernos com conhecimentos acadêmicos.

Destaca-se também que, no podcast, mais do que respostas, são dadas perguntas, perguntas que estão abertas - muito talvez por conta da proximidade citada -, todavia, abrindo-se o diálogo, e expandindo-o, assim, aumentam-se as chances de uma “resposta” (se é que há uma).

Portanto, recomenda-se o podcast (e o conservadorismo contra as novas formas de expressão não afastam a alcunha de obra) para o bom entendimento do estudo atual da Democracia, das atuais teorias e acontecimentos. Se as circunstâncias e o povo modificam a Democracia, o próprio entendimento sobre a Democracia pode alterar a qualidade da Democracia, pois muda o próprio povo. Assim, entendê-la não deve ser um trabalho exclusivamente de acadêmicos, mas, também, daqueles que dela participam. E o podcast é uma forma moderna de alcançar um público que talvez não teria acesso aos assuntos tratados.

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