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Confira o primeiro episódio de nossa nova coluna, que trará fatos e histórias sobre os lugares mais curiosos da São Francisco. E como não poderia ser diferente, começaremos pelo mais tradicional e amado espaço de convivência franciscano: O Porão.

#pratodosverem: Foto do Porão vazio, com cadeiras e mesas dispostas ao centro, palco ao fundo com algumas pessoas e parede vermelha à direita, com janelas para a Rua Riachuelo.

Todas as pessoas que passam pela Riachuelo invariavelmente olham para um par simples de porta de metal, onde até meados do ano passado funcionava o saudoso Porão. Local de encontro mais tradicional dos franciscanos passados, presentes e futuros, tanto para comprar um famoso litrão, quanto para comprar um salgado na hora da fome.

Infelizmente, o Porão foi atingido por um princípio de incêndio na manhã do dia 18/04/2019, provavelmente por problemas no circuito elétrico da lanchonete. Prontamente, os bombeiros conseguiram entrar no local e controlaram o fogo, contudo, o local precisou ser interditado e passar por reformas antes de poder ser reutilizado.

Foto: Divulgação/Bombeiros SP

Porém, o Porão nem sempre foi o saudoso local de confraternização que todo veterano conheceu e tem saudade.

Originalmente, ele foi utilizado como refeitório estudantil (o famoso bandejão), ocupando a maior parte do seu espaço com as mesas e o bufê, enquanto a comida era preparada em um local separado. Apenas uma pequena parte, ao lado direito da escada de entrada, era reservado ao centro acadêmico e utilizada como espaço de convivência.

Contudo, o espaço fornecia condições precárias para sua utilização como refeitório, tanto por ser literalmente um porão (duh!), e possuir poucas oportunidades de ventilação quanto pela sua proximidade com a rua, gerando barulho e entrada de sujeira. Diante desse cenário, a direção da Faculdade incorporou à mudança a outras reformas que ocorreriam no período, transferindo o refeitório para o seu local atual, no 01º. Andar do Prédio Anexo.

Desde então, o Porão passou a ficar a cargo exclusivamente da gestão do Centro Acadêmico que, após novas reformas, passou a utilizar a antiga área dos refeitórios como um local de confraternização e festas. Ao lado da pista de dança, foi alugado o espaço para um bar/lanchonete, bem como para uma xerocadora.

Contudo, como nada na São Francisco dá certo por muito tempo, houve um descontentamento crescente com os serviços prestados e com o valor pago para o sempre deficitário XI de Agosto. Diante desse cenário, começou-se uma discussão acerca da troca dos locatários do bar, surgindo pela primeira vez a ideia de dividir o aluguel entre a lanchonete – responsável pelos salgados e refeições – e o bar, responsável unicamente pelas bebidas e cafés.

Levantada a proposta ainda em 2015 sob a liderança do coletivo Canto Geral, o contrato somente foi fechado no final de 2016 – já na gestão do Resgate, em Assembleia. Saíram vencedores a Cooperativa das Mulheres Negras do ABC para a lanchonete e a Bel para a parte das bebidas. O xérox permaneceu com a locatária anterior.

 Novamente, porém a coisa acabou saindo do planejado. Tanto a Cooperativa quanto o Xérox tiveram graves problemas em arcar com os aluguéis e manter o funcionamento das instalações nos horários pretendidos. Após vários meses de inadimplência e horários cada vez menores, foi negociada a saída das duas empresas dos locais, sendo substituídas pela Lanchonete Franciscana e pela papelaria (que assumiu o posto do Xérox), até o fatídico incêndio.

Atualmente, o Porão ainda está em processo de reforma, sob a gestão do escritório de arquitetura APUÍ Arquitetura e Paisagismo. O foco da reforma está nas questões de segurança e melhorias de estrutura, principalmente para evitar novos incidentes. A íntegra do projeto foi disponibilizada pelo Centro Acadêmico, neste link).

Atualmente, a reforma se encontra em estágio inicial, focada principalmente na reforma da estrutura dos encanamentos e fiações do teto e dos banheiros, bem como em melhorias realizadas nas escadas de acesso (costumeiramente, congestionadas em dias de festa; e que há algum tempo sofriam com corrimões bambos).

Por fim, boas notícias para os franciscanos mais tradicionalistas. Há alguns anos escondidos por uma pintura avermelhada de gosto duvidoso, os tijolos aparentes voltaram a dar às caras no Porão. Algumas propostas já tinham sido levantadas para a realização da restauração, mas nunca tinham sido levadas a cabo devido aos altos custos envolvidos e ao apertado caixa do XI de Agosto.

A previsão da conclusão das obras é já para o mês de abril.

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