Foi no bairro de pinheiros que eu me entreguei por inteiro. Se você não conhece o modão paulistano à la Tim Bernardes, pelo menos conheça Pinheiros.
Quando em 2018, na minha primeira vinda ao caos da capital em definitivo, vim parar no coração da boemia: Vila Madalena. Mal eu sabia que dali veio uma das melhores histórias cantadas de amor tipicamente paulistana: o não tão famoso Modão de Pinheiros. Aos que desconhecem, recomendo já adicionarem às suas respectivas playlists do Spotify, Deezer, Apple Music e afins – vale até ler a matéria com essa trilha sonora, pois adianto já, faremos o roteiro d’O Terno.
Dia desses, decidi andar pelos versos da música e ver o que de São Paulo tinha em Pinheiros. Vem comigo e com o Tim (Bernardes) conhecer a Zona Oeste…
A paixão começou descendo a Avenida Rebouças, entre a Faria Lima e a Marginal Pinheiros, fica o Shopping Eldorado para aquelas saídas burguesas – além de ter absolutamente tudo que um recém-chegado à capital precisa por um preço não tão acessível, verdadeiro quebra galho e conta bancária. Atravessando para o outro lado da “Avenida do Condado”, existem muitos pontos de ônibus ao longo da Rebouças, úteis para se chegar desde Pinheiros-Financial-Center até Pinheiros-nos-fins-de-semana, no passeio tradicional pela Rua dos Pinheiros, mas aqui já me adianto para além do Tim.
É claro que se perdeu a calma na Rua Henrique Schaumann, é um concentrado de outlets, incluindo Lupo (alou, meias calças-quase-descartáveis-fio-15), TNG e a caríssima Gregory com descontos de 70% em troca de coleção. Pós festas ou em pausa nas compras, para os habitantes do Oeste, vale enterrar sua dignidade no Mc Donald’s modelo 24h em pleno amanhecer que é caminho de volta para casa – e me poupe de falar que o Mc 1000 é melhor.
Outro concentrado, é a Rua Teodoro Sampaio. Na parte alta, temos as mais diversas lojas de instrumentos musicais com preços de bagatela (comprei meu companheiro de morada, a.k.a. meu violão bem ali). E descendo, pertinho da estação de metrô Faria Lima, a alternativa de onde se encontra tudo a preços bem justos: desde supermercados até as Lojas Mel (1,99 um pouco mais para 9,99 rs).
Mas chega de praticidades, aos fins de semana mais cults, a Praça Benedito Calixto abriga uma enorme feira de antiguidades, perfeita para garimpos. Móveis cacarecos ou bem conservados, objetos que você precisa pesquisar no Google para descobrir qual a finalidade ou apenas seguir a boa modinha de se ter uma Underwood na escrivaninha para as datilografias da madrugada. Nos arredores também costuma ter música ao vivo e outras feiras mais alternativas com comida e chopp gelado – não vá de carro, além de impossibilitar o deleite das cervejas artesanais de cortesia, é um caos para estacionar. Aliás, em todo Pinheiros aos sábados e domingos, prepare-se para caçar estacionamentos superfaturados.
Mudando de ala, a Rua Lisboa, Capote Valente e João Moura traçam o caminho para a Vila Madalena. Se seguir mais para a sua esquerda, passando pela estação de metrô, chega-se aos bares tão famosos do bairro. Porém, minha estimada Vila Madá durante o dia merece um artigo solo, de tantas galerias de arte independentes, hamburguerias premiadas, lojas de doces e o próprio Beco do Batman. O melhor dali é descer no metrô, calçar um bom tênis, subir pelas escadas da Rua Paulistânia e ir explorando by yourself – esteja com as panturrilhas treinadas para ladeiras…
Outro ótimo ponto para transporte púbico é a Avenida Dr. Arnaldo: tem o metrô Clínicas e um ponto de ônibus que passam várias linhas logo em frente ao Cemitério do Araçá. Aliás, se você gosta do clima perto do Julius Frank, o cemitério é um verdadeiro museu e conta com uma banca gigantesca de plantas maravilhosas bem na entrada. Atrevendo colocar um pé para fora da história do Tim, mas que me permita um parênteses, se o Cemitério do Araçá é um museu, o da Consolação é o rei deles. Com mausoléus de personalidades como Monteiro Lobato, Tarsila do Amaral e Oswald de Andrade, recentemente, foi inaugurado um projeto de cultura para a exibição de um festival cinematográfico de terror no cemitério. Preparem-se para setembro, quando costumam ocorrer as sessões, ou caia na gandaia madalenense, é o conselho do Tim.
Os indícios do fim da história e do nosso roteiro é dobrar a esquina para a Rua Cardeal Arcoverde ao invés de nos embrenharmos a fundo no coração da ZO. A rua é repleta de lojas de móveis antigos e restaurantes, maiormente comerciais, vale a pena passar ali para retornar à Faria Lima e alugar o meio de transporte do Condado: os patinetes e bikes do Itaú. Uma alternativa é seguir no sentido contrário aos faria limers, em direção à Avenida Sumaré. Ela corta o bairro de Perdizes e parte da Rua Turiaçu ao lado do Estádio Allianz Parque, até a Rua Cardoso de Almeida, território pucano no miolo de Perdizes. Ambas vias são propícias às pedaladas, é só pedir para a terra da garoa dar uma trégua.
Após tantos passos no fim de semana, dias úteis são dias de Itaim Bibi, onde nos enfurnamos em nossas baias e nunca mais se ouve falar da gente. Igual ao Tim Bernardes, que aqui me despeço da carona. Seja por coração partido ou folga encerrada, é por isso que as pessoas mudam de bairro.
