Na última quarta-feira, 13 de novembro, alguns estudantes se reuniram nas arcadas para debater o papel da universidade na implementação de objetivos de desenvolvimento sustentável. A ideia partiu dos 17 objetivos idealizados pela Organização das Nações Unidas para promover o desenvolvimento no mundo, abrangendo temas como desigualdade, saúde, meio ambiente e tecnologia. Os alunos, desse modo, procuraram aplicar tais objetivos ao cotidiano franciscano, identificado quais são as ações já realizadas pela comunidade que caminham para seu alcance e idealizando o que ainda precisa ser feito.
De primeira, foi apontado o desenvolvimento sustentável como uma relação saudável entre o ser humano e o meio ambiente, permitindo que a economia cresça sem acarretar o esgotamento de recursos. Mas, à medida que a reflexão foi se aprofundando, chegou-se à conclusão de que o desenvolvimento sustentável também abrange questões socioeconômicas, incluindo as relações das pessoas entre si – considerando que grande parte dos objetivos são focados nesse universo.
Assim, foi possível pensar sobre a situação da Sanfran sob a ótica do desenvolvimento sustentável. Em primeiro lugar foram lembradas as mudanças em relação ao uso de copos plásticos: ainda que em festas tais utensílios não sejam mais disponibilizados, o que contribui para diminuir a produção de lixo bem como facilita a limpeza do Largo, seu uso no bandejão precisa ser revisto – quem sabe, com alguma forma de distribuição de canecas no começo do ano para aqueles que utilizam o restaurante. Também foram pensadas maneiras de estimular a reciclagem de lixo: os pontos de coleta seletiva na faculdade são poucos e em locais pouco estratégicos; além disso, a comunicação visual das lixeiras do bandejão poderia ser aprimorada, bem como a conscientização dos alunos em relação ao dever de contribuir com o descarte seletivo. Outra sugestão levantada foi a troca de algumas lâmpadas por versões que proporcionam menor desperdício de energia. Ademais, foram discutidas propostas de arborização da faculdade e seu entorno: o antigo sonho das arcadas floridas.
Como o desenvolvimento sustentável não abarca apenas questões ambientais, mas também socioeconômicas, tais pontos também foram trazidos para a conversa. No que tange à redução de desigualdades, foram lembrados os vários coletivos e grupos de extensão com temática racial e de gênero. Nesse contexto também apareceu a conquista da eleição da primeira mulher negra para a presidência do Centro Acadêmico XI de Agosto em 2019. Todavia, os alunos lembraram da necessidade de discussões, grupos e ações de promoção à saúde mental na faculdade, com a desconstrução da ideia de que precisamos ter pressa para conquistar nossos objetivos profissionais tão cedo. Outro objetivo citado foi a correção da disparidade de capital cultural entre estudantes de alta e baixa renda e a disponibilização de acesso à cultura para estes.
Por fim, foi citada a necessidade de inclusão de debates acadêmicos sobre desenvolvimento, sustentabilidade e políticas públicas de redução de desigualdades, por parte dos corpos docente e discente. É preciso que mudanças sejam realizadas também nos microuniversos – como, por exemplo, a faculdade - e não apenas nos níveis macro, para que a busca pelo desenvolvimento sustentável seja mais bem sucedida.


