A tecnologia fez parte da vida de várias pessoas desde a infância. Até poucos anos atrás, havia menos meios de entretenimento tecnológico para as crianças, sendo a principal a televisão e vídeo games. Com essa falta de alternativas, o controle de supervisão e de fiscalização por parte dos pais era mais fácil.
Hoje em dia, os novos pais têm que lidar também com o uso de internet através de tablets, smartphones e smart TVs. Isso gera uma maior preocupação com o conteúdo que a criança pode acessar, devido à maior liberdade e proximidade pelos produtores de conteúdo.
Por causa disso, no YouTube, o conteúdo infantil é um artifício poderoso para ganho de visualizações e, consequentemente, ganhos com anunciantes. Desde 2014, há muitas ocorrências de vídeos infantis que tem personagens infantis, de desenhos animados e de filmes, que atraem a atenção das crianças e, em sua maioria, com um entretenimento voltado à elas. Isso é favorável tanto para os pais, que não podem supervisionar o que os filhos assistem o tempo todo, quanto para os filhos, que os distraem e desestressam.
O problema aparece uma vez que alguns desses vídeos apresentam um conteúdo inadequado para o público infantil. Se você abrir o YouTube, encontrará facilmente vários vídeos com personagens de desenhos animados e, em muitos desses, inadequadamente mostram um cenário que expõe violência, sexualização, e insinuações de pedofilia. Isso pode ser muito acessível para crianças, com a função de reprodução automática, e a mostra de vídeos recomendados, segundo o algoritmo do aplicativo.
Ligado à isso, devemos comentar também que apesar de certos desenhos animados que passavam na televisão possuírem duplo sentido, como alguns episódios de Tom e Jerry e Pica Pau como exemplos mais famosos dessa matéria, na internet o controle do conteúdo a ser visualizado a passa a ser do usuário que está utilizando o aplicativo. Ou seja, os pais ou, em vários casos, os próprios filhos.
Após o lançamento do aplicativo YouTube Kids,
que possui a restrição de produções com títulos e tags voltado às crianças,
ainda assim há denúncias em relação aos vídeos de duplo sentido, pois o
algoritmo não considera os vídeos mais antigos e também os títulos
excessivamente grandes, que facilita a busca. Exemplos da contínua
popularização e da falta de eficácia do app são vídeos do Mickey usando uma
arma e personagens da animação Patrulha Canina gritando palavrões enquanto caem
de paraquedas.
E o que o YouTube faz para resolver isso? Recentemente, há maior atenção quanto
à intervenção dessas produções, inúmeros
vídeos com milhões de visualizações foram bloqueados por romper com as
diretrizes do YouTube e muitos outros foram desmonetizados (removeram anúncios)
pela utilização inadequada de personagens. Com isso, apesar dessas soluções não
atenderem à uma melhora a longo prazo, é interessante também promover
estratégias de conscientização aos responsáveis para supervisionar o que os
pequenos assistem e denunciar como resposta.
