Parque Ibirapuera: o coração verde de São Paulo sob um olhar cultural

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Descongestione suas vias respiratórias e seus atrasos culturais em uma volta: o Parque Ibirapuera reúne verde pungente com arte num cenário interminável. Seu formidável eixo cultural constitui um verdadeiro tesouro paulistano digno de ser visto e explorado. O parque, um dos mais visitados da América Latina, possui roteiros de visita imperdíveis para todos os estilos de vida, inclusive aos enamorados pela cultura da cidade.

O Parque Ibirapuera, inaugurado em 1954, é um dos mais importantes patrimônios históricos da cidade de São Paulo, o que o levou a ser tombado por diversas instituições ambientais, arquitetônicas e artísticas. Ele possui uma vasta quantidade de atrações magníficas, capazes de encantar e agradar a todos os visitantes, como o meu queridinho Museu Afro Brasileiro. Em meio à dúvida sobre o que encontrar no parque, deparei-me com o estupendo antro de artes e conhecimentos Ibirapueresco. Assim, configura-se como um ponto turístico essencial para os viajantes e um local de lazer agradável para os seus habitantes. O parque se revela como um espaço vívido e revigorante - um verdadeiro respiro verde em meio ao concreto e à malha urbana paulistana -, não é à toa que ingressou na lista elaborada pelo The Guardian referente aos dez melhores “urban green spaces” do mundo.

No parque, podemos encontrar uma extensa área de conservação da natureza (viveiro Manequinho Lopes, praças, bosques, jardins), espaços educacionais (Biblioteca Sapucaia, Escola de Astrofísica, Planetário Ibirapuera), ambientes desportivos e de convivência (Ginásio do Ibirapuera, Slack Park, Lago do Ibirapuera), mas é o seu eixo cultural que chama a atenção dos amantes da arte e da cultura presentes na cidade.

Museu Afro Brasil (MAB)

O Museu Afro Brasil é, sem dúvidas, o mais autêntico e instigante entre os museus presentes no Parque Ibirapuera, sendo um dos melhores de toda a cidade de São Paulo. Em uma construção arquitetada por Oscar Niemeyer, o museu traz a cultura africana e sua influência na sociedade brasileira com exposições temporárias e permanentes e ainda possui uma biblioteca especializada. Em suma, o MAB é uma visita essencial para aprender mais sobre a sociedade brasileira e para quem aprecia a arte de modo geral.

O acervo fixo possui mais de 6 mil obras e aborda a religião, a história e arte africana em seis núcleos (África: Diversidade e Permanência, As Religiões Afro-Brasileiras, O Sagrado e o Profano, Trabalho e Escravidão, História e Memória e Artes Plásticas: a Mão Afro Brasileira). Outras exposições que estão dispostas no museu atualmente são as dos artistas Elvinho Rocha, Anderson Ac, Paulo Pereira e João Câmara, além de uma coleção incrível de arte nativa da África, América Latina, Ásia e Oceania. A exposição temporária de destaque do momento (que fica no museu até 26 de julho de 2020) está linda e se chama “Heranças de um Brasil Profundo”, que exalta a arte e a cultura dos povos nativos indígenas, com uma representação real da oca indígena.

Acesso: Av. Pedro Álvares Cabral – Portão 10

Horário de funcionamento: terça a domingo, das 10h às 18h – Fechamento da bilheteria às 17h

Ingresso: R$ 15,00 (inteira) e R$ 7,50 (meia) – Gratuidade aos sábados

Museu da Arte Moderna (MAM)

O Museu de Arte Moderna de São Paulo é mais um ponto de destaque do Parque Ibirapuera devido à organização de acervos grandiosos dos artistas homenageados a cada exposição e à proposição de diversas atividades educacionais, como ateliês e oficinas, para crianças e jovens. Estão associados a ele a exposição externa permanente a céu aberto, o Jardim das Esculturas, que é composto por 30 esculturas projetadas por Burle Marx, e o grafite bastante colorido (e que eu adoro) dos famosos grafiteiros Os Gêmeos, logo na entrada do museu. Além disso, o museu possui um restaurante com um bufê muito bom e uma vista privilegiada para a Oca, apesar do preço não ser tão acessível.

O MAM traz, de tempos em tempos, exposições temporárias especializadas em algum assunto e, muitas vezes, em algum artista, como ocorreu em 2017 com a incrível mostra de Anita Malfatti, por exemplo. Como o museu não possui um acervo permanente além do Jardim das Esculturas, o gosto por suas exposições é algo bastante subjetivo, dependendo muito do tema a ser apresentado agradar ou não o visitante. De modo geral, as exposições são sempre bem organizadas e seguem o que propõem. Até 1 de março de 2020, a exposição em questão era focada no trabalho do artista cearense Antonio Bandeira. Agora, vale a pena ficar de olho e aguardar a próxima exposição, que abordará a arte contemporânea do artista paraibano Antonio Dias a partir de 21 de março de 2020.

Acesso: Av. Pedro Álvares Cabral – Portão 3

Horário de funcionamento: terça a domingo, das 10h às 18h – Fechamento da bilheteria às 17h30

Ingresso: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia) – Gratuidade aos sábados

Museu da Arte Contemporânea (MAC USP)

O Museu de Arte Contemporânea está localizado em frente ao Parque Ibirapuera e é associado à Universidade de São Paulo, desde que ela recebeu o acervo do antigo MAM. O MAC possui espaços educacionais e de estudo referentes à arte, assim como uma extensa coleção que conta com obras de artistas famosos (como Anita Malfatti, Emiliano Di Calvacanti, Joan Miró e Pablo Picasso) e também de artistas contemporâneos menos reconhecidos pelo público. Por ser um ambiente associado a USP, diversas disciplinas optativas de assuntos artísticos são realizadas no museu (como, por exemplo, “Arte e Literatura Infanto-Juvenil: Uma Visão Interdisciplinar” e “Fotografia e Arte - Interações ao Longo do Século XX”), o que é uma dica aos franciscanos que não só do Direito sobrevivem e querem, de vez em quando, fugir do mundo jurídico. Vale destacar, ainda, que muitos dos estudantes da universidade sequer conhecem o museu e, por isso, sua divulgação é importante – devemos saber que nos está disposto um espaço valioso como este para que possamos aproveitá-lo da melhor maneira.

As exposições atuais, dispostas em andares diferentes do edifício, são: “MAC USP no século XXI - A Era dos Artistas”, “Vizinhos Distantes: Arte da América Latina no Acervo do MAC USP”, “Memorial do Desenho”, “Reserva em Obras”, “Visões da Arte no Acervo do MAC USP 1900 - 1950”, Visões da Arte no Acervo do MAC USP 1950 - 2000” e a mais que recente “Muito Além das Aparências: a Imagem Crítica de Pedro Meyer”. A característica mais notável do MAC é que esse é um lugar para os amantes de todo tipo de arte, seja ela moderna, contemporânea, mais abstrata, mais realista, desenhos ou colagens - o museu apresenta um pouco disso tudo.

Acesso: Av. Pedro Álvares Cabral, 1301

Horário de funcionamento: terça a domingo, das 10h às 18h

Ingresso: gratuito

Pavilhão das Culturas Brasileiras

O Pavilhão das Culturas Brasileiras é um enorme edifício que integra o conjunto de obras de Oscar Niemeyer e busca exaltar as culturas brasileiras em suas variadas formas, sendo reinaugurado após sofrer reformas arquitetônicas em 2010. A exposição atual, que permanece até 22 de março de 2020, é uma homenagem aos 500 anos da morte de Leonardo Da Vinci, assim como a última exposição do MIS Experience. Apesar disso, as duas exposições são muito diferentes. Até por conta de sua gratuidade, a mostra do Ibirapuera é bem mais curta, estando dividida em quatro núcleos: Sala de Máquinas, Realidade Virtual, Área “Self” e Sala Imersiva.

A exposição de Da Vinci no Ibirapuera é interessante principalmente pelo foco no seu trabalho como cientista, mas não vale uma ida ao parque caso o seu objetivo seja exclusivamente visitá-la - nessa situação, você provavelmente sairá decepcionado. O ideal é ir ao parque com o plano de visitar, além dessa, outras mostras ou outras atrações e, aí sim, seu passeio será mais enriquecedor. No entanto, é importante esclarecer que o Pavilhão é um espaço expositivo amplo, imponente e de potencial para excelentes mostras, por isso, é bom ficar de olho na agenda futura do local.

Acesso: Av. Pedro Álvares Cabral – Portão 10

Horário de funcionamento: terça a domingo, das 9h às 17

Ingresso: gratuito

Outros

Além dos museus citados, existem ainda outros três pontos de cultura no Parque Ibirapuera: a Oca (que costuma realizar exposições e eventos, mas atualmente não possui mostra ativa), o Pavilhão da Bienal e o Auditório do Ibirapuera (que de longe chama atenção com o vermelho da obra de Tomie Ohtake que compõe o seu design), todos projetados pelo arquiteto Oscar Niemeyer. O Pavilhão da Bienal é onde ocorre a Bienal da Arte em São Paulo, esse ano em sua 34ª edição iniciada em fevereiro com a exposição da artista peruana Ximena Garrido-Lecca sobre a história do Peru e os impactos neocoloniais sofridos com a globalização. Nos meios da música e do teatro, vale ficar de olho na agenda do belíssimo Auditório do Ibirapuera: no mês de março ocorre a 7ª Mostra Internacional de Teatro, de São Paulo e as apresentações do Coro Luther King, da Funmilayo Afrobeat Orquestra, da banda Terra Celta e da Orquestra Brasileira do Auditório.

Oca, Pavilhão da Bienal e Auditório do Ibirapuera:

Acesso: Av. Pedro Álvares Cabral – Portão 3

Horário de funcionamento da bilheteria do Auditório: sexta e sábado, das 13h às 22h/ domingo, das 13h às 20h

Mitsp – 7ª Mostra Internacional de Teatro de São Paulo - Peça Multidão (Crowd)

Data: 6 e 7 de março de 2020, às 21h

Ingresso: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia)

Coro Luther King em espetáculo comemorativo de 50 anos

Data: 13 e 14 de março, às 21h

Ingresso: gratuito

Banda Terra Celta

Data: 20 de março, às 19h

Ingresso: sem informações

Orquestra Brasileira do Auditório (OBA) em ensaio aberto

Data: 21 de março, às 11h

Ingresso: gratuito

Imagens por Maria Eduarda Uribe / Gazeta Arcada
Imagem da Capa por Rafael Neddermeyer / Fotos Públicas

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