A binariedade característica da modernidade ocidental decorre do colonialismo e do pensamento filosófico aristotélico. O Eu e o Outro. O Bem e o Mal. O Bom e o Ruim. O Certo e o Errado. O Sim e o Não. O Progresso e o Primevo. O Normal e o Estranho. A Beleza e a Feiúra. O Branco e o Preto. Tal maneira de enxergar o mundo se baseia no código do Ser e do Não Ser. Ou seja, se algo é A, não é B. Ou se é A, ou se é B. É a separação e a diferenciação com base em determinados pressupostos, sejam eles morais, raciais, sociais, etc.
Assim, o existir e pensar nessa lógica é reproduzida no campo da nossa individualidade. O indivíduo tende a criar um Falso-Eu, que remanesce na superfície como um conjunto de máscaras sociais, por ter sido rejeitado como é. Fazendo uso de mecanismos de defesa para proteger um ego frágil e rígido, negligencia a si mesmo, à essência, às necessidades e anseios mais profundos. Ainda, o Eu está imobilizado dentro de uma redoma de auto-julgamento, de auto-flagelo, de auto-rejeição, auto-sabotagem, caracterizado pelo apego ao passado e pela ansiedade pelo futuro, o impedindo de viver o presente em prol de sua integridade - ser um, tanto em sua luz quanto em sua sombra.
