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Ao maior apreciador de notas de repúdio, dedico uma a ele, Rodrigo Maia.

Da alcunha de primeiro-ministro para o título de covarde da República, Rodrigo Maia se tornou um dos maiores cúmplices do bolsonarismo. O remédio para essa crise é apenas um: impeachment. Quando quem tem o poder para aplicá-lo não o faz, significa que quer, tanto quanto o Presidente da República, ver o povo doente. Jair Bolsonaro sempre foi o mesmo, não mudou, não muda e não vai mudar. Novas oportunidades servirão para que demonstre toda a sua loucura e maldade. Pressioná-lo para recuar em suas ações presidenciais é um esforço em vão. Talvez, porém, ainda haja alguma dignidade em Rodrigo Maia para se mostrar à altura do cargo que escolheu ocupar. É nele que mais vale direcionar as forças políticas até que ceda à admissão de um dos vários pedidos de impeachment que já se acumulam na sua mesa.

Há três meses atrás, escrevi o texto “Até quando toleraremos a oposição tolerando o intolerável?”. Naquela época, somavam-se crimes de responsabilidade, por parte do Presidente da República, em mais de 17 áreas distintas – e, apesar disso, a oposição continuava inerte. Com a pandemia e a adoção pelo governo do “Programa de Mais Mortes”, a situação é outra. Já são dezenas de pedidos de impeachment na mesa de Rodrigo Maia e, no entanto, o Presidente da Câmara dos Deputados não tem o respeito de sequer dizer que os atos de Jair Bolsonaro são ilegais. Publica algumas notinhas de repúdio para o público e, nos bastidores, promete aos militares não abrir qualquer processo de impeachment contra Bolsonaro, como se devesse alguma subordinação a eles.

Diante da covardia e subserviência de Maia, Bolsonaro avança a passos largos na ilegalidade. Aparelha a Polícia Federal para desviar investigações contra a sua família, concede cargos ministeriais de segundo escalão para corruptos conhecidos, e não tem mais medo de, apesar de recomendações sanitárias por isolamento social, subir em palanques de manifestações que pedem o fechamento do Superior Tribunal Federal e do Congresso Nacional. Bolsonaristas odeiam Maia e o cargo que ele ocupa. Não vai demorar muito para que democratas também.

Na tentativa de barrar os absurdos de Bolsonaro, magistrados da Suprema Corte extrapolam as suas funções e criam precedentes perigosos. Os próximos a vestirem a toga – que, se tudo continuar como está, serão indicados por Bolsonaro – podem usar disso para medidas politicamente indesejáveis. O controle da Presidência da República não foi dado aos ministros do STF. Foi dado à Casa do Povo, a Câmara dos Deputados, presidida por Rodrigo Maia. Em outras palavras, Maia está vinculado a ser o maior responsável pela continuidade das desgraças trazidas por Bolsonaro – pelo menos, enquanto permanecer coniventemente omisso, escondido atrás de algumas notas de repúdio. Pode até fugir das crises agora, mas, certamente, será lembrado por isso no futuro.

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